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Nick Ellis_

O empresário, blogueiro e designer Nick Ellis é o criador do Digital Drops e do AppStore Blog. Além disso ele também é editor do MeioBit, escreve no Blog de Brinquedo e tem muitos outros blogs e projetos prestes a sair do forno.

A arte de fazer uma série de TV histórica

30, março de 2009, 13:00 | Especiais

O mistério que envolve Lost é o grande responsável pela fama que a série tem hoje.
 

Quando Lost começou ficou bem claro que se tratava de uma série de TV com um tema sobrenatural feita sob medida para conquistar os fãs da lendária série Arquivo X e tantas outras do mesmo gênero. O que poucos sabiam naquela época era que assim como The X-Files, Lost também ia entrar para a história da TV, deixando de ser uma série comum e se juntando a outras grandes séries no imaginário dos espectadores. Se você já assistiu Lost, já sabe que você pode até sair da ilha, mas a ilha nunca sai de dentro de você.

Ao longo da trama os criadores da série usaram e abusaram dos flashbacks, mostrando a história dos personagens antes de irem parar na ilha, com o roteiro cortado em dois tempos diferentes, às vezes até mais do que isto. Este recurso funcionou de forma espetacular na maioria das vezes, e por mais inexplicável que fosse o enigma deixado para o próximo episódio de alguma forma eles sempre conseguiram manter a trama interessante através de tantos episódios até chegar nesta nova temporada, que para mim é a melhor de todas, onde tudo parece se encaixar com precisão como se fosse um relógio sendo montado na tela.

Damon Lindelof, que é um dos co-autores de Lost ao lado de J.J. Abrams e Carlton Cuse, assumiu o papel de principal roteirista desta quinta temporada, e parece saber muito bem o que está fazendo. Seu ofício é transformar uma série de TV em algo mais do que isso, criando uma mitologia para os personagens principais, que são arquétipos de heróis e vilões imperfeitos com os quais você pode se relacionar e que sempre mostram suas fraquezas. Além destes personagens, um dos pontos principais de Lost é a questão do tempo, que acaba sendo um dos personagens principais da série, tanto quanto a própria ilha, é claro.

Damon já confessou em uma entrevista que bebeu da fonte de Watchmen, e descreveu a obra de Alan Moore e Dave Gibbons como a maior peça de ficção popular já produzida. Citando uma frase dele: dos flashbacks a forma não linear de contar a história, passando pelos heróis cheios de falhas, todos estes são elementos que eu procuro colocar em tudo o que escrevo. Mas não foi só Watchmen que inspirou Lost, Damon é um fã do autor Stephen King e cita Twin Peaks de David Lynch como principal influência da série.

Ele parece ter aprendido muito bem estas lições, porque também escreve quadrinhos e é o autor da minissérie Ultimate Wolverine vs. Hulk, e é o principal responsável pelo que está acontecendo com Lost nesta temporada. J.J. Abrams e Damon Lindelof também estão trabalhando juntos como diretor e produtor de Star Trek, um filme que segundo minha previsão deve dar início a uma revolução na qual os trekkers dominarão o mundo, em algo parecido com Star Wars nos anos 70. Também existe uma especulação de que eles vão adaptar para o cinema no ano que vem a série de livros The Dark Tower, de Stephen King.

Voltando a ilha de Lost, a verdade é que durante todas as temporadas, personagens como Locke, Sayid, Desmond, Daniel, Sawyer e Ben sempre mostraram uma profundidade impressionante. Eu acho que esta atemporalidade de Lost e a quantidade de teorias que existem a respeito, mostram que esta série não vai ser esquecida tão cedo, e são justamente estas séries que valem a pena serem assistidas. Por isso se você nunca assistiu Lost, ou então desistiu pelo caminho, saiba que vale a pena colocar a série em dia o quanto antes, porque o final da série promete ser inesquecível.