O incrível sucesso do iPhone como plataforma de jogos
O celular mais vendido do mundo é o mais jogado também. 
O iPhone tem se destacado como uma plataforma de jogos de respeito, sem dever nada aos seus concorrentes diretos, e surpreendendo a quem o considerava um simples celular. Há poucos dias na Game Developers Conference em San Francisco o celular da Apple foi destaque na apresentação de várias empresas com cases de sucesso como os da Ngmoco e Gameloft, com seus mais de 2 milhões de jogos vendidos.
Durante a apresentação da nova versão 3.0 do firmware do iPhone, que vai ser lançada em junho ou julho, Neil Young (apesar do nome, não é o mesmo de Rocking in the Free World) da Ngmoco subiu ao palco e apresentou algumas das novas funções do sistema 3.0, empolgando a todos com os jogos LiveFire e Touch Pets. A versão 3.0 traz novidades ainda mais interessantes para os jogadores como chamar seus amigos da agenda do iPhone para te ajudar em uma situação de apuros conversas no jogo, e até mesmo a chance de comprar um pack com um update do game, sem precisar abandonar o seu jogo. Young também esteve na GDC, onde falou sobre o lançamento de novas versões do jogo de maior sucesso da Ngmoco, Rolando. A empresa faz muito bem o que se tornou uma tendência da AppStore, o lançamento ocasional de updates com novos níveis para manter os consumidores sempre satisfeitos. A Electronic Arts também esteve neste evento e já é velha conhecida da AppStore onde lançou jogos como o pioneiro Spore e também clássicos como Sim City e Monopoly. A EA Mobile também anunciou na GDC que vai trazer mais o Fifa Soccer, NBA Live, entre muitos outros, além dos prometidos Sims 3 e Need for Speed.
A nova versão do firmware corrige uma das coisas que mais irritavam os fanáticos por jogos (como eu) na versão 2.2.1 do sistema do iPhone, a velha limitação de 9 telas, que só permitia a instalação de míseros 148 programas! Agora já temos 11 telas no firmware 3.0, com um total de até 180 programas. Outra ótima novidade é o spotlight, velho conhecido de quem tem um Mac, e é um atalho para tudo que você precisa, sejam contatos, programas ou jogos. Esta função fica em uma tela escondida que você acessa deslizando o dedo para a direita, e fica fácil abrir o jogo que você quiser em questão de segundos. Era exatamente isto o que eu queria, Apple, como vocês adivinharam? O único problema é que você se acostuma rápido a encontrar as coisas desta forma tão fácil, e acaba fazendo isso em outros iPhones quando volta a usar a versão antiga. É aí que você percebe como esta função faz falta, e eu não sei como vivi até hoje sem esta função!
Voltando aos jogos, desde que tenho um comprei meu primeiro iPhone em julho de 2007, eu joguei diversos tipos de jogos que foram lançados para ele, mesmo antes do lançamento da AppStore. Como eu tenho um blog exclusivamente dedicado a este assunto, eu já gastei muito mais que um punhado de dólares comprando meus jogos favoritos no dia do lançamento. Eu sempre ouvi dizer da turma do PSP e do Nintendo DS que o iPhone era isso e aquilo, que um celular nunca pode ser comparado a uma plataforma de jogos e blá, blá, blá. Enquanto isso eu fui acompanhando a evolução dos jogos, até chegarmos neste momento, onde eles estão ficando quase perfeitos. Podemos perceber isto em jogos como Rolando ou Sway, que foram projetados especialmente para a plataforma, e aproveitam muito bem os recursos do iPhone, mas também com outros jogos que são adaptações de originais desenvolvidos para o PC ou Mac.
Segundo a Reuters, o Nintendo DS já vendeu mais de 100 milhões de unidades, e o Sony PSP, mais de 50 milhões, desde que foram lançados em 2004. Além do iPhone, o mercado de jogos da AppStore também inclui o iPod Touch, em um total de 30 milhões de unidades espalhadas pelo mundo, em um tempo muito menor. É claro que isso não acontece por acaso. O iPhone tem recursos muito interessantes como a tela multi-touch, Wi-Fi, acelerômetro, GPS, câmera, as possibilidades são muito grandes. Outro fator ainda mais importante é a inovadora AppStore, que mudou a forma como os programas e jogos são distribuídos, quebrando paradigmas do mercado e influenciando toda a concorrência, que está correndo atrás do prejuízo criando suas próprias AppStores. Os jogos podem até ser mais baratos, mas o desenvolvedor fica com 70% do lucro e não precisa se preocupar com a distribuição do seu produto, que fica por conta da Apple, que embolsa os outros 30%.
De acordo com dados da Mobclix, dentre os mais de 31 mil programas lançados na AppStore mais de 7300 são jogos, dos quais 5500 são pagos. E eu acho que não preciso nem dizer que estes números mudam a cada dia com novos lançamentos. Os desenvolvedores precisam usar várias estratégias para se destacar nesta enorme concorrência e obter sucesso na AppStore. Valem mudanças de preço, promoções temporárias, versões grátis (as populares lite versions) e muito mais. Criar um programa na AppStore tem sido o sonho de muitos e devo admitir que comigo não é diferente.
Agora só falta o nosso governo parar com a censura prévia e liberar a venda de jogos na AppStore nacional que no momento é como um deserto de poucos programas e praticamente nenhum jogo. Mas como eu sou um eterno otimista, eu acredito que dias melhores virão para os usuários de iPhone e iPod Touch no Brasil.


