Alfred Sirleaf,o blogueiro analógico
Você já ouviu falar do blog “The Daily Talk”? 
É um blog feito na Libéria, por um cidadão de 36 anos chamado Alfred Sirleaf, e tem cerca de 10.000 leitores diários, segundo ele mesmo. Mas esqueça, não adianta você fazer uma busca por ele, você não vai encontrar a URL do blog, ele é feito em um quadro negro.
Eu já havia ouvido algo superficial sobre a Libéria, principalmente o fato de ser um país fundado por ex-escravos egressos dos EUA em meados do século XIX. Mas fazendo uma breve pequisa, não foi difícil entender um pouco mais da história do país, em poucas palavras, ele esteve mergulhado em um golpe de estado seguido de guerra civil entre 1980 e 2003, e foi justamente neste período que Sirleaf, antes do ano 2000, viu a necessidade dos que estavam nos campos de refugiados terem uma maneira de se manter informados, e resolveu fazê-lo através do quadro negro.
Surgiu assim, no final da década de 1990, e ainda durante um regime ditatorial, o Daily Talk. Não durou muito. Depois de publicar uma crítica ao regime, o quadro negro foi destruído e Sirleaf chegou a ficar algum tempo preso. Em 2003 o ditador foi deposto e o país começou a entrar em processo de democratização, foi em 2005, pouco antes das primeiras eleições livres em 25 anos, que o Daily Talk voltou à ativa enfrentando a falta de alfabetização de seu povo de forma criativa, com a utilização de símbolos facilmente reconhecíveis (ícones), como capacetes militares ou azuis (Nações Unidas), posters de futebol, ou até mesmo uma garrafa com água colorida junto ao local onde está publicado o preço da gasolina.
Desde a retomada o blog analógico de Sirleaf, não parou mais, tornou-se uma importante fonte de informação para a população local, que tem pouco acesso aos jornais e menos ainda à internet, e que lhe retribui colaborando de forma voluntária com notícias para publicação, alguns destes colaboradores, inclusive, de outras cidades do país.
O Daily Talk sustenta-se com venda de anúncios, seus preços que variam entre 5 e 20 dólares, e com a doações que lhe são feitas de cartões telefônicos, úteis para Sirleaf comunicar-se com sua rede de correspondentes. Agora ele quer expandir seus domínios, tem planos para descentralizar seu projeto, espalhando seus quadros negros pela capital liberiana, Monróvia, e até mesmo em outras cidades grandes do país.
Aí está um bom projeto para o “venture capitalists” injetarem dinheiro.
Fontes: White African, NY York Times, Vimeo, e Wikipedia (1, 2, 3)


