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Gilberto "Knuttz" Soares_

Gilberto "Knuttz" Soares Filho, 36 anos, ganhou seu primeiro computador aos nove anos de idade. Foi usuário do pioneiro Projeto Cirandão, e posteriormente de várias BBSs, até ingressar na internet em 1993. Já trabalhou como auditor, controlador e gerente financeiro em empresas "de tijolo". Em 1999, como hobby, começou a criar e manter sites. Em 2006 o hobby evoluiu para atividade profissional através da criação e editoria de sites próprios, como o ueba.com.br, e serviços diversos na área.

A “liberdade” de expressão

16, abril de 2009, 11:00 | Especiais

 

Não importa muito o que você diz, mas como diz.

Entre as várias coisas que meu pai me ensinou enquanto criança e adolescente, uma das que mais se fixaram na minha cabeça é a idéia de que tudo pode ser dito, desde que feito da maneira correta. Ele estava então, começando a me preparar, para que eu fosse capaz de discordar de alguém, no âmbito pessoal ou profissional, dentro de determinados limites não escritos, sem que houvesse detrimento a qualquer vínculo que eu tivesse com o interlocutor. 

Ele certamente não sabia, já que aqueles ensinamentos eram uma preparação para que eu assumisse uma empresa familiar, que aquilo me balizaria tantas decisões futuras, não apenas comportamentais, mas principalmente no que diz respeito à forma de me portar, e fazer uso de forma consistente de algo tão importante: a liberdade de expressão. 

Minhas lembranças conscientes da infância datam em sua maioria do princípio da abertura política no Brasil, lembro com clareza alguns poucos fatos dos primeiros anos da década de 1980, coisas como as Olimpíadas de Moscou, a campanha pelas diretas, a sucessão do General Figueiredo e a queda da maldita censura, que a tantos mandos e desmandos submeteu o Brasil. Ainda lembro-me dos certificados de faixa etária que eram exibidos antes dos programas de televisão e dos filmes em cinemas, da confusão gerada pelo filme “Je vous salue, Marie”, que foi proibido no Brasil. 

Mas mesmo tantos anos depois da abertura política, e do fim da censura, ainda falta na legislação brasileira, a aplicação da ‘exceção da verdade’ de forma ampla, e não apenas no caso de funcionários públicos como prega nossa legislação atualmente. Em síntese quem falar mal e for acusado de difamar, deveria ser resguardado nos casos em que possa provar o que diz, isso daria uma maior amplitude essencial e verdadeira a nossa democracia, os processos frívolos que se arvoram nesta tipificação penal para censurar de forma velada, tenderiam a diminuir. Vejam o que acontece, por exemplo, nos Estados Unidos, país que tantos adoram bater, procurem assistir a qualquer dos ‘talk shows’ mais vistos naquele país e vejam como os apresentadores batem sem dó nem piedade em pessoas como Bernie Madoff, que deu um golpe de 50 bilhões, e lhe atribuem os adjetivos que ele fez por merecer. Isso acontece, porque é pré-requisito para ações de difamações naquele país, a falsidade do fato imputado. 

Só me preocupo um pouco com certas armadilhas. A liberdade de expressão é muito importante para que nós deixemos ser usada como desculpa para o cometimento de crimes comuns. Bem ou mal, devemos nos basear no fato de que para falarmos o que bem quisermos e entender, precisamos saber como fazê-lo. Muitos usam apenas a parte que consideram interessante da liberdade de expressão, mas parecem esquecer algo importante, enquanto ela é garantida, o anonimato é vedado, seu uso para cometimento de crimes é, também algo ilegal. 

O uso responsável desta liberdade é essencial à sua própria preservação, a idéia de que ela não obedece a limites, que é absoluta e não sujeita à ordem legal, é motivo de preocupação. 

Querem levantar uma boa bandeira em prol desta liberdade? Levantem a bandeira da aplicação ampla da ‘exceção da verdade’!