O peso da corrupção
A diferença entre meia dose e meia garrafa. 
Tem uma piada antiga do padre novato que estava muito nervoso ao rezar sua primeira missa na paróquia que havia acabado de assumir, e recebe de um padre mais velho a dica de tomar meia dose de vodka antes da celebração. O padre acha que meia dose não é suficiente e termina por beber e soltar-se bem mais do que o aconselhável em uma missa.
Cada vez que eu vejo a desfaçatez com que um político com mandato fala algo na televisão é exatamente esta a impressão que eu tenho deles, e de seus asseclas colocados estrategicamente em cargos públicos. Já há algum tempo, assumir um mandato, ser nomeado para algo importante, não é um ato de desprendimento em nome do povo, tal como o padre que não se contentou com meia dose de vodka, este pessoal não entra para ganhar um bom salário, entra com o objetivo principal de lesar o povo.
Mas o que eu vejo de pior nisso é o caminho que trilhamos. Os escândalos, que parecem infinitos, e provavelmente o são já que a corja faz muito por merecer, está destruindo um dos três pilares principais da democracia. E como qualquer democracia, é impossível haver sustentação sobre apenas dois, ao ruir, o Poder Legislativo vergara o Judiciário e Executivo.
A idéia do Estado Tripartido existe porque é necessário que cada um dos poderes vigie os outros dois, fazendo um balanceamento baseado na imposição de limites, e não incapacidade de cada um agir de forma absoluta. E ao não impedir a corrupção nos outros poderes, os dois que não estão no foco do escândalo da semana, TAMBÉM é tão corrupto quanto.


