Star Trek Reloaded
O retorno do espetáculo para nerds. 
Esta semana eu tive o prazer de assistir no cinema a estreia de Star Trek, um filme que retoma a saga de Gene Roddenberry de forma espetacular. Este Star Trek consegue ser completamente diferente do original, com uma nova roupagem e uma visão radicalmente distinta da velha história e personagens que são como amigos íntimos de seus fãs.
Com um roteiro muito bem escrito que altera a mitologia do universo Star Trek de uma forma que não incomoda (muito) os trekkers, este filme empolga e agrada tanto aos fãs mais ardorosos quanto pessoas que nunca tenham ouvido falar em Kirk ou Spock.
Eu confesso que sou um daqueles privilegiados que assistia as eternas reprises da série original de Star Trek na televisão sempre que chegava do colégio, em algum lugar do passado. Todos os personagens e os atores que os interpretaram na série original significam muito para mim, que me considero um trekkie (ou trekker, se você preferir).
Se você é tão obcecado por Star Trek quanto eu, prepare-se, porque apesar do filme você vai ver na tela ser algo completamente diferente de qualquer episódio ou filme de Star Trek que você já tenha assistido, o resultado final é gratificante. Eu sinceramente adorei Star Trek, porque a essência da história e dos personagens continua presente. O Dr. McCoy continua sendo o mesmo simpático ranzinza, mesmo vivido por Karl Urban, o Éomer de Lord of the Rings: As Duas Torres.
A Nyota Uhura de Zoe Saldana dispensa qualquer tipo de comentários, porque é linda e maravilhosa, conquistando a todos quando aparece na tela. Uhura agora tem uma queda por Spock, o que também serve para mostrar as pequenas diferenças sutis da nova versão para a original, no qual ela gostava de Kirk.
O comediante Simon Pegg empresta sua verve cômica a Scotty, e o resultado é simplesmente hilariante. Checov então é perfeito, interpretado por um russo de verdade, e bem mais novo que os outros tripulantes, como deve ser. O japonês Sulu em compensação, é interpretado pelo coreano John Cho, mas até que ele manda bem.
Atenção, a partir de agora, o texto contém alguns spoilers leves do filme. E se por acaso você ainda não assistiu Star Trek, o que está esperando? Antes de assistir ao filme eu li um prelúdio em quatro atos lançado em quadrinhos no iPhone que explicava em detalhes o que acontece exatamente antes de Star Trek.
O filme começa com a gigantesca nave Romulana Narada saindo de dentro de um buraco negro e ameaçando a nave onde estavam o primeiro oficial George Kirk e sua mulher grávida. A presença da nave do Capitão Nero (intepretado de forma sinistra por Eric Bana) muda alguns acontecimentos cruciais e cria uma linha do tempo alternativa, na qual Kirk precisa sacrificar a sua nave e a si mesmo para garantir a sobrevivência de sua esposa e de seu filho, que viria a ser James Tiberius Kirk. Depois deste início literalmente bombástico, o filme avança 25 anos e mostra como é diferente o destino de Jim sem o seu pai por perto. Sua cena inicial como adolescente, dirigindo um carro ao som de Sabotage dos Beastie Boys foi alvo da ira dos mais tradicionalistas, mas eu sinceramente adorei a cena, que não por acaso faz parte do trailer do filme.
Jim faz o clássico papel do tradicional herói relutante que acaba se rendendo aos encantos da federação e da Tenente Uhura, sendo convencido pelo Capitão Pike a seguir os passos do seu pai, que no universo real de Star Trek foi a sua inspiração para ingressar na academia. Chris Pine faz um excelente trabalho como James T. Kirk, um canastrão perfeito que sabe apanhar melhor do que o Homem Aranha.
É claro que sempre gostei do Capitão Kirk, mas o meu personagem favorito, assim como o de milhões de outros fanáticos por Star Trek, sempre foi o vulcano mais famoso do universo, o filho do Sarek, Spock. Ele também é mostrado enquanto criança, sofrendo com os vulcanos valentões por ter uma mãe humana, aliás vivida por ninguém menos que Winona Rider.
Zachary Quinto se revela um excelente ator fazendo um Spock em formação, com estilo e personalidade próprias. Fugindo da caricatura, Zachary passa longe de fazer uma imitação do velho Spock, que também aparece em cena, em uma belíssima homenagem aos fãs mais antigos da série. Leonard Nimoy rouba todas as cenas e consegue emocionar tanto trekkies quanto novatos com suas frases e seu olhar cativante, compondo um Spock mais humano do que nunca. Sua naturalidade em cena merece uma salva de palmas e um pedido de bis, coisa de mestre. O personagem Spock não está no filme por acaso, muito pelo contrário, os motivos são muito bem explicados e a sua presença é a razão pela qual a história acontece.
O que eu mais gostei do novo e surpreendente Star Trek é como os realizadores usam alguns dos elementos centrais das séries Lost e Fringe para explicar sua trama. O próximo filme Star Trek já está confirmado e deve ser lançado em 2011, e o sucesso mundial deve garantir muitos novos filmes deste novo universo Star Trek, assim como uma nova geração de fãs e admiradores para a franquia.


