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Pedro Jansen é jornalista, autor do livro "Deus Ex Machina - Quando o Rock Teresinense Nasceu do Nada" e blogueiro desde 2001. Foi repórter do jornal O DIA - PI e da revista VIP, da editora ABRIL. Atualmente é co-editor do Calo na Orelha e colaborador do Dois Dedos na Garganta.

É só uma data, gente

27, maio de 2009, 19:30 | Colunas

Para você, ficar mais velho significa ficar mais maduro? Sério? 


Meu nome é Pedro Jansen, sou teresinense, uso óculos e tenho 24 anos. Faltam aí uns poucos dias para enfim completar o que, de acordo com o calendário que sigo desde que morava no saco do meu pai, significa um novo ano de vida e uma coleção de 25 deles. E essa coleção significa, dado o mesmo calendário, um quarto de século.

Quanta pompa, né? Coisa nenhuma.

Desde que comecei a me interessar por coisas que minha idade, física ou psicológica, não permitiam fazer, essa viagem de idades emblemáticas rondam minha cabeça. Se quando eu tinha 10 anos não podia acompanhar meus primos mais velhos no pequeno bacanal a ser promovido numa área afastada do sítio de nosso avô, ok, eu faria isso quando fosse mais velho. Se com 14 anos eu não podia ficar até tarde na rua, simplesmente batendo papo e jogando RPG, eu faria isso quando fosse mais velho. Se com 17 anos minha mãe ainda me despentelhava o saco para que eu continuasse a ser o menino de sempre, que às 22h estava em casa, ok, eu resolveria tudo ficando mais velho e entrando na universidade.

Ficar mais velho era a maneira de ter tudo que eu queria e não podia, mas tudo em caráter exclusivamente inútil: eu achava que ficar mais velho era o caminho mais curto para ser independente.

Isso se mostrou bem falacioso quando, com todas as idades atingidas eu não tinha moral em casa para nada e nem tinha dinheiro para bater no peito e dizer um desaforado “eu pago minhas contas”. Era totalmente inútil e sem futuro. E isso só foi ser revertido quando arrumei o primeiro emprego. E aí tinha 18 anos e as datas emblemáticas chegaram.

Porque junto com ela vinha a piada do “agora já pode ser preso” e a viagem interna de que “nossa, agora realmente posso ser preso, que foda”, sendo que nem atravessar fora da faixa quanto mais desacatar autoridade ou coisa que o valha você fez [ou fará, já que eu sou burro mas não sou trouxa].

Então desde os 18 eu comecei a tradição bizarra de escrever sobre datas emblemáticas. O texto dos 18 se perdeu no primeiro blog [junto com o dos 19, que só dizia que não tinha mudado coisa nenhuma] e o dos 21 eu não lembro mais onde publiquei. Bom negócio para mim, nas três situações, já que os textos deviam ser sofríveis.

Mas porque raios praticamente uma lauda de texto escrita para não falar nada? Que história é essa de nada, rapaz, presta atenção. O que eu estou tentando dizer é que datas emblemáticas, aniversários significativos e essa pataquada toda não faz o menor sentido se você não considera que a sua vida muda num ritmo completamente diferente do seu ritmo de vida e que se você tem alguma ilusão de que completar 25 anos, um quarto de século ou qualquer coisa que o valha é algo fantástico, well, apaga da tua mente o que te fez pensar que isso faz algum sentido.

Porque não faz.

Ser demitido do trabalho, engravidar a namorada, pagar contas, tirar o nome do vermelho, fazer supermercado, deixar de fumar, manter um namoro com alguém muito diferente de você, sentir saudade de casa, adoecer longe da família, tudo isso são atalhos para o crescimento que é realmente necessário.

Parece papinho de guri que saiu das fraldas e tá achando que ter 25 anos é grandes coisas, mas pensa só: crescer em idade é apenas uma parte das coisas que tu pode fazer da tua vida, mantendo sempre a mania de chupar o dedão do pé quando sentir fome. Crescer em responsabilidades, desafios e angústias é muito mais funcional e enriquecedor. Crescer pra se tornar adulto, mesmo que você só tenha 6 anos e tenha acabado de aprender a dar o nó no seu tênis do Mickey, aí sim está o verdadeiro drama.

E não, chatos do caramba, eu não estou falando nenhuma novidade. Mas me parece impossível negar que esse bicho do apego aos anos, da dor de admitir que está envelhecendo em compromissos, tudo isso parece tão esquecido que não me canso de repetir. E que não me venha o outro dizer que essa conversinha não é papo de macho porque aí subo nas tamancas e bato no peito: “epa, calmalá, agora ser macho é ser um poço de arrogância?”. Porque é extremamente arrogante não admitir que, nem por um segundo, você desejou parar o tempo ou considerou que sua vida estava prestes a mudar completamente só porque a resposta para a pergunta “qual tua idade?” passaria a ser outra. Envelhecer dá aquele tapão na segurança e eu acho mesmo que macho que é macho sabe se dar o direito de tremer na base de quando em vez.

Aí aproveito e confesso: tô me borrando de medo com os tais 25 anos. Muda muita coisa?