Yahoo! Posts

RSS Adicionar ao My Yahoo! Adicionar ao Google

Gilberto "Knuttz" Soares_

Gilberto "Knuttz" Soares Filho, 36 anos, ganhou seu primeiro computador aos nove anos de idade. Foi usuário do pioneiro Projeto Cirandão, e posteriormente de várias BBSs, até ingressar na internet em 1993. Já trabalhou como auditor, controlador e gerente financeiro em empresas "de tijolo". Em 1999, como hobby, começou a criar e manter sites. Em 2006 o hobby evoluiu para atividade profissional através da criação e editoria de sites próprios, como o ueba.com.br, e serviços diversos na área.

Ainda a Lei de Gerson (e as carpideiras)

16, junho de 2009, 9:00 | Especiais

Quer virar unanimidade no Brasil? Morra.
Sério, depois que você morrer até aquele teu inimigo declarado, que nutria ódio ou desprezo enorme por você, não importa quanto, vai falar bem de você. Isso acontece porque é da cultura do brasileiro médio apoiar quase que incondicionalmente os que tombam no caminho, não importando o histórico, não importando as incoerências ou atitudes. No dia que o Maluf ou o Collor morrerem, dois políticos que foram execrados em vida, vocês vão ver a quantidade de carpideiras, anotem e aguardem.

Outra coisa muito arraigada no inconsciente comum do brasileiro é a Lei de Gerson, a vontade de tirar vantagem (desleal) em tudo, a vontade de encurtar o caminho furando fila e tomar a vez que não é sua. Claro, hoje está muito melhor, hoje já não se brada tanto aos sete ventos que se quer tirar vantagem, mas infelizmente se faz, e nós vemos isso no dia a dia, especialmente na internet, que provoca uma falsa sensação de privacidade, mas que expõe tudo nas entrelinhas.

O último grande zumzumzum destes casos aconteceu com a disseminação do uso de scripts que faziam a adição em massa de usuários a contas de Twitter, e como alguns usuários seguem de volta todos que o seguem, os que pegavam o atalho terminaram por aglutinar dezenas de milhares de seguidores. Na época que a baderna começou fiz apenas um comentário a respeito, o de que todos que estavam usando o script deveriam ter suas contas zeradas, afinal o uso do exploit foi se aproveitar de uma falha de design.

Este final de semana Tessalia Serighelli a mulher mais seguida no Twitter nacional, e usuária confessa de script de adição em massa de usuários (ela me adicionou três vezes em 48 horas, no começo de abril), teve sua conta @Twittess invadida e zerada, perdeu cerca de 50 mil seguidores, e quase o mesmo tanto de seguidos. Não demorou muito para começar o “coitadinha”, “que peninha”, “que triste”, depois do tombo, vi até mesmo uma ou duas pessoas que condenavam o uso do artifício se comiserarem do ocorrido.

Particularmente acho que o acontecido foi simplesmente justo. Fácil vem, fácil vai.

Uma das desculpas auto-indulgentes que pessoas que fazem uso de métodos que burlam a ordem estabelecida pelo sistema, para se convencer que não há nada de errado, é a de que eles não estão fazendo mal a ninguém. Não coincidentemente é a mesma desculpa usada por corruptos; eles não estavam fazendo mal a ninguém ao receber uma verba indenizatória indevida, ou ao receber uma propina. Sim, é um exagero de forma, mas o princípio usado é o mesmo, já que o “não estou fazendo mal a ninguém”, omite de propósito a palavra “diretamente”, porque indiretamente toda trapaça resulta em mal a alguém.

O uso destes métodos vai além do ato em si, eles servem de exemplo para toda uma leva de pessoas influenciáveis, que ao ver o sucesso de alguém que burlou o sistema para alcançá-lo, e que “se deu bem”, sigam o mau exemplo. No final dos anos 1990, no começo do boom dos jogos online, era algo relativamente normal ser expulso de servidores de jogos online do exterior simplesmente por ser brasileiro, afinal, “todos” brasileiros eram trapaceiros. E este é o mal indireto: “a mulher mais seguida do Twitter brasileiro só o é porque usou script”, em dois tempos isso transforma-se em algo “como todos brasileiros, ou a maioria deles, usam scripts”.

Tessalia agora tem outra conta, a @aliastes, e está tendo um recomeço forçado.  Ela tem agora a oportunidade de se provar capaz de crescer e retomar a proporção gigantesca que @twittess teve, ou se render ao caminho curto mais uma vez, e novamente tomar o atalho da adição em massa*. Torço pela primeira.

*A “adição em massa” ficou bem mais lenta agora, visto que o Twitter limitou a quantidade de novas adições por dia.