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Gilberto "Knuttz" Soares_

Gilberto "Knuttz" Soares Filho, 36 anos, ganhou seu primeiro computador aos nove anos de idade. Foi usuário do pioneiro Projeto Cirandão, e posteriormente de várias BBSs, até ingressar na internet em 1993. Já trabalhou como auditor, controlador e gerente financeiro em empresas "de tijolo". Em 1999, como hobby, começou a criar e manter sites. Em 2006 o hobby evoluiu para atividade profissional através da criação e editoria de sites próprios, como o ueba.com.br, e serviços diversos na área.

A realidade pode ser virtual, o caráter, não

27, agosto de 2009, 18:08 | Colunas

Seu comportamento nas redes sociais pode mostrar quem você realmente é.

O mundo nunca foi tão pequeno quanto é agora. As ferramentas de comunicação nunca foram tão instantâneas, tão eficientes e tão fáceis de usar quanto agora. Ferramentas como o Twitter e o Meme fazem com o que acontece em qualquer lugar do mundo esteja, no minuto seguinte, à nossa disposição, a despeito de onde estejamos. Estas ferramentas fazem a vida virtual ser cada vez mais real.

Com esta virtualização da vida, o próprio conceito de comunidade foi subvertido. O que antigamente se aplicava apenas a pessoas que viviam em determinada área passou a ter uma abrangência muito maior e hoje fazemos parte de comunidades que transcendem fronteiras físicas. Passou a ser normal você ver alguém reclamando do frio do inverno no sul do Brasil, enquanto outro fala feliz do sol de verão em um país qualquer do hemisfério norte, dentro de um mesmo espaço virtual.

Mas ao mesmo tempo que esta vida virtualizada nos permite interações fantásticas, muitos esquecem que ela ainda é vida, e que, salvo no caso de personagens assumidas, o que você faz nas comunidades de que participa é um reflexo de seu próprio caráter. Nada daquele papo furado de que a ‘persona’ que você é online não passa de uma criação que não reflete o que você é.

Na internet, os ratos rugem.

Estar protegido por um monitor e a uma conexão de distância da outra parte permite, como diria um ex-deputado, que os instintos mais primitivos aflorem, afinal, o monitor não vai gritar ‘péra lá’ e o teclado vai escutar calado toda verborragia que alguém queria jogar sobre ele. É como se, ao interagir com a vida virtual, a pessoa esteja constantemente a um passo de um momento de fúria incontrolável na vida real, a um passo do momento em que nada lhe refreará, e seus pensamentos reais, sem nenhum pudor e de forma exagerada, virão à tona. Como dizem aqui no nordeste, a pessoa é o que é na hora do ‘pega pra capar’.

Então meus caros, não se iludam. Esta vida virtual que levamos, e que cada dia mais se confunde com nossa vida real, não é uma proteção para o que somos, apenas desnudam nosso caráter. E até que os Whuffies, as unidades de reputação criadas por Cory Docrow para seu livro de ficção ‘Down and Out in the Magic Kingdom’ sejam factíveis, serão suas curtas sentenças e interações no Twitter, ou longas postagens em blogs, fóruns e redes sociais, que vão servir de base para que outros saibam quem você é.