Brasil: mediocridade institucionalizada
Governo investe em software que ajuda as pessoas a não pensarem
Em seu caminho para chegar ao poder, a Esquerda brasileira vitimou um dos elementos chave para o futuro de qualquer país. Ao usar a “Zélite” como arquétipo de todo mal que caminha sobre a face da Terra, ela pavimentou, como nunca antes na história deste país, a estrada para a terra da mediocridade.
Aceito e acredito que parte da “Zélite” foi, de fato, culpada pela grande maioria dos males que assolaram a nação no passado. Mas foi uma parte mínima dela. E o que a Esquerda esqueceu, ou fez questão de ignorar, é que qualquer país que queira ser não apenas de primeiro mundo, mas um país próspero, deve ser dotado de várias elites. Pessoas que, através de grande esforço, chegaram e continuam perseguindo a excelência, pessoas que têm o poder de contribuir decisivamente em todas as áreas que se possa imaginar, por esta prosperidade que tanto se almeja.
Mas esse ataque consistente à “Zélites” terminou por ser proveitoso não apenas àqueles que estavam em busca da chegada ao poder. Ele terminou por se encaixar com perfeição ao desejo dos que há décadas com ele se locupletam, já que estes últimos têm a experiência de que um povo estúpido dá melhor gado, é mais fácil de manter nos currais eleitorais e infinitamente mais grato às pequenas esmolas que lhes jogam. Não é à toa que os antigos e os novos formaram uma mistura tão homogênea.
O culto ao medíocre cada vez mais se acentua e é maquiado através de soluções paliativas que tratam os sintomas, nunca as causas, como as cotas raciais nas universidades que escondem uma educação básica falha, promoção automática de ano nas escolas públicas que faz com que analfabetos funcionais “concluam” seus cursos, e agora chegamos ao ponto em que uma fundação sustentada por dinheiro público, a FAPESP, deverá empregar R$ 1 milhão em um software que “traduza” português, para português. Sim, você leu certo.
A idéia, estapafúrdia, é que textos que contenham construções de frases mais rebuscadas e palavras menos usuais sejam alterados para que pessoas que tiveram a educação (mal) bancada pelo estado não sejam forçadas a pensar, não procurem aprender novos termos, e não se sintam tentadas a ampliar seus conhecimentos. Um pecado mortal em uma república de medíocres. Não vou nem entrar no cerne da questão, o Carlos Cardoso fez isso muito bem em seu texto “Está Instaurada a Idiocracia“, mas eu tenho uma pergunta para fazer à Fapesp.
“Vocês têm assessoria jurídica?”
Sim, porque o dito software tem a finalidade única de modificar obras existentes que nascem, de acordo com o Art. 7º da Lei 9610/98, com o direito autoral protegido. E não pode ser modificado sem a autorização prévia de seus autores, vejam o que diz o artigo 29 da mesma lei:
Art. 29 – Depende de autorização prévia e expressa do autor a utilização da obra, por quaisquer modalidades, tais como:
I – a reprodução parcial ou integral;
(…)
III – a adaptação, o arranjo musical e quaisquer outras transformações;
(…)
X – quaisquer outras modalidades de utilização existentes ou que venham a ser inventadas.
Acredito que o inciso X deixa bem claro, e não será preciso nenhum software para traduzir o texto, que a obra está protegida até de meios que venham a ser inventados e que por ventura possam vir a atingir seu direito autoral.
Resta saber se as editoras concordarão em abrir mão de seus lucros, e se os autores da integridade de suas obras, em nome da burrice institucionalizada.



