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Thaís Pontes_

Thaís Pontes é jornalista e blogueira. Foi editora de conteúdo jovem no iG e hoje trabalha com social media na CUBOCC. É colunista do site da Revista Capricho e também escreve no www.dicadodia.com e no www.thaispontes.com.br

Vestido curto, bullying e educação

6, novembro de 2009, 10:27 | Colunas

Se o maior problema do país é educação pública, o que dizer desse comportamento de estudantes universitários da rede particular?



Se você não vive embaixo da pedra, certamente ouviu falar do caso da garota Geysi Arruda, estudante universitária que, por usar um vestido muito curto no campus, foi covardemente agredida e humilhada por seus “colegas” de faculdade.

Muita gente já falou sobre as imagens absurdas de um motim universitário gritando, chutando porta de classe, subindo em janela e xingando a estudante que estava de vestidinho. Mas o que mais me chamou a atenção foi o número de celulares e câmeras digitais filmando o fato todo.

Não contentes em agredir a Geysi, os alunos filmavam e fotografavam a cara da garota com a intenção de propagar a chacota em busca de um linchamento virtual. Horas após a confusão no campus, o vídeo com o rosto humilhado de Geysi já estava na internet. “Ela está chorando“, diz uma voz ao fundo de uma das gravações. “Ah, dane-se”, é a resposta debochada.

Porém dessa vez o linchamento virtual saiu pela culatra. Os vídeos espalhados pela rede só serviram para mostrar o tamanho do absurdo, do preconceito, da infelicidade e da desgraça de grande parte dos alunos da tal universidade, cujo gerente de marketing deve ter morrido de úlcera.

Eu sei que existe um fenômeno que explica a mudança de comportamento das pessoas quando estão em grupo, aquele que justifica os atos de vandalismo e violência das torcidas organizadas. Mas eu sempre achei que esse fenômeno, na verdade, só desperta um lado da pessoa que já está lá. Então, certamente, o que mais impressionou nesse caso não foi o comprimento do vestido da guria, mas sim o anarquismo de tais universitários.

Fico feliz por estarmos na era das mídias sociais, que muito além do cyber bullying, proporciona também que fatos como esse, dignos da época da inquisição, possam ser rapidamente repercutidos. E fica a reflexão: se o maior problema do país é educação pública, o que dizer desse comportamento de estudantes universitários da rede particular?