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Gilberto "Knuttz" Soares_

Gilberto "Knuttz" Soares Filho, 36 anos, ganhou seu primeiro computador aos nove anos de idade. Foi usuário do pioneiro Projeto Cirandão, e posteriormente de várias BBSs, até ingressar na internet em 1993. Já trabalhou como auditor, controlador e gerente financeiro em empresas "de tijolo". Em 1999, como hobby, começou a criar e manter sites. Em 2006 o hobby evoluiu para atividade profissional através da criação e editoria de sites próprios, como o ueba.com.br, e serviços diversos na área.

Bom senso, a melhor herança

30, novembro de 2009, 11:31 | Colunas

O que fazer para evitar que nossas crianças tenham superexposição de intimidade?

Esta semana eu estava lembrando um show Stand Up do comediante Chris Rock que assisti na TV a cabo alguns anos atrás. Entre as várias histórias que o comediante contava, tinha uma em que ele falava da educação de filhos e filhas, sobre as diversas coisas que se deviam ensinar aos pequenos, mas como acima de tudo, da necessidade de frisar bem às filhas “fiquem longe do mastro de dança” (pole dance), em uma alusão clara às “dançarinas sensuais”, ou, como se diz popularmente, às stripers.

“Fi-quem lon-ge do mas-tro de dan-ça!”.

Lembrei em seguida do painel sexo que aconteceu na Campus Party no início deste ano, quando um amigo perguntou a ums das painelistas o que ele poderia fazer para evitar que no futuro a filha de cinco anos dele tivesse problemas com superexposição de intimidade, a resposta da painelista foi curta e seca: “não há o que fazer”. Discordo.

Hoje vivemos a Era da Comunicação, desde a década de 1970 as formas de comunicação crescem de forma brutal, e mais brutal ainda foi a proliferação de conhecimento e informação neste começo de século XXI. Hoje todos se comunicam o tempo inteiro, vinte quatro horas por dia, sete dias por semana, com telefones que filmam e fotografam, computadores que cabem em palmas de mão, ou seja, um cenário propício para a superexposição. O que podemos fazer para proteger nossos pequenos?

Se a minha geração, nascida nos anos setenta, que foi adolescente nos anos oitenta tem por marca principal, além das roupas cafonas, a rebeldia que buscava a libertação das amarras mais tradicionais vindas do passado, a geração do meu filho, nascido no ano 2000, tem pela frente a necessidade de lidar com uma situação de extrema liberdade e amplitude de informações que já está à disposição de crianças de nove anos como ele.

A melhor solução para ajudá-los a enfrentar situações tão plurais pode parecer prosaica demais para alguns, ou complicada demais para outros que tem a vida excessivamente corrida, é conversar muito, afinal, a única forma que temos para fazer com que nossos pequenos entendam e tenham capacidade de analisar e decidir corretamente o que fazer nas situações que encontrarão em suas vidas é fazendo com que eles desenvolvam o bom senso.

Temos que nos policiar aprender a responder ao que eles nos perguntam, dá-los condições de chegar às próprias conclusões, mesmo que o façamos dentro de nossos valores, só devemos evitar a imposição de ideias prontas. Conversem com seus pequenos, conversem muito, não percam oportunidades. Dêem a eles a condição de criar bom senso, e agir de acordo quando a situação for vexatória, afinal, precisamos nos convencer que filhos são criados para o mundo, não para nós.