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Gilberto "Knuttz" Soares_

Gilberto "Knuttz" Soares Filho, 36 anos, ganhou seu primeiro computador aos nove anos de idade. Foi usuário do pioneiro Projeto Cirandão, e posteriormente de várias BBSs, até ingressar na internet em 1993. Já trabalhou como auditor, controlador e gerente financeiro em empresas "de tijolo". Em 1999, como hobby, começou a criar e manter sites. Em 2006 o hobby evoluiu para atividade profissional através da criação e editoria de sites próprios, como o ueba.com.br, e serviços diversos na área.

Pirataria nos tempos modernos

4, dezembro de 2009, 10:31 | Colunas

Piratas da Somália aterrorizam tripulações de embarcações comerciais que são obrigadas a passar pelo Chifre da África.

É engraçado como o sentido que damos a determinados termos ou sentenças mudam com o passar do tempo. No contexto atual você já deve ter ligado rapidamente o título desta coluna a algum novo método para o combate às cópias ilegais de programas ou peças audiovisuais, ou até mesmo caça aos que baixam coisas mil da internet, o que é compreensível, já que nos últimos anos o assunto é uma constante na imprensa, nos sites e blogs mundo afora.

Mas quem diria que em pleno século XXI, o assunto pirataria iria voltar às manchetes com o mesmo sentido que tinha séculos atrás? A proeza é dos piratas da Somália, país africano que está mergulhado há 18 anos em uma guerra civil interminável, e é incapaz de conter um pequeno exercito que atualmente gira em torno de mil foras da lei que aterrorizam tripulações de embarcações comerciais que são obrigados a passar pelo que é conhecido como Chifre da África, para chegar ao Canal de Suez, e ter acesso ao Mar Mediterrâneo e consequentemente à Europa, sem ter que contornar todo o continente africano.

Ao contrário dos piratas clássicos de alguns séculos atrás, que atacavam as embarcações em busca do que transportavam, os piratas somalis são sequestradores de alto mar e sua atividade vem crescendo de forma assustadora. Em 2005 foram 15 ataques, em 2008 este número pulou para 111 ataques e, só nos primeiros quatro meses de 2009, registraram-se 79 ataques a embarcações. Este crescimento aconteceu mesmo com uma força tarefa internacional  composta por embarcações de mais de uma dúzia de países vigiando a região.Em oito de abril a situação atingiu ares cinematográficos, carregado com dezessete mil toneladas de produtos, sendo cinco mil delas ajuda humanitária para a própria Somália, Uganda e Quênia, o Maersk Alabama, que navegava sob a bandeira dos EUA, foi atacado e teve sua tripulação sequestrada, para quatro dias depois ser libertada por ação de Seals,
uma força especial da marinha norte-americana, que salvou a vida do capitão do navio, Richard Phillips, ao matar com uso de atiradores de elite três sequestradores que o mantinham refém sob mira de armas em um bote salva vidas.

Em termos globais, fora as vidas inocentes postas em risco, há um desdobramento perverso nestes atos. A principal forma de deslocamento de alimentos é marítima e o custo dos resgates ? segundo informações os piratas faturaram algo entre 80 e 150 milhões de dólares com resgates ano passado ? e do próprio combate ao risco, são repassados para o preço do frete, mesmo quando se trata de ajuda humanitária.

Veja o caso do Maersk Alabama por exemplo, depois de seu primeiro
sequestro, em abril, ele passou a navegar com segurança armada a bordo e dotado de equipamentos de ponta para defesa, como o Long Range Acustic Device (LRAD ? Aparelho Acústico de Longo Alcance), capaz de emitir um som direcional que chega a 150* decibéis e causa uma dor brutal nos ouvidos de seu alvo, mesmo a 300 metros de distância, ou até mesmo problemas de audição permanentes caso eles estejam muito próximos.

E no caso do Maersk Alabama, valeu a pena. Em meados de novembro, ele foi novamente atacado por piratas, mas o uso de armas de mão e do LRAD por parte da segurança de bordo, somada a algumas manobras evasivas do novo capitão do navio, Paul Rochford, evitaram que o sequestro se repetisse. Já o capitão Richard Phillips, que comandava a embarcação em abril, se aposentou, e segundo informações ele está escrevendo um livro sobre o ocorrido, que de tão cinematográfico que foi, também deverá virar filme.

*Para efeitos de comparação, um avião decolando chega a 110 decibéis.

Referências:
http://www.foxnews.com/story/0,2933,510766,00.html
http://pr-canada.net/index.php?option=com_content&task=view&id=92316&Itemid=61
http://www.un.org/Pubs/chronicle/2007/webArticles/073107_somalia.htm
http://en.wikipedia.org/wiki/Combined_Task_Force_150
http://en.wikipedia.org/wiki/LRAD
http://news.bbc.co.uk/2/hi/uk_news/4077533.stm