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O empresário, blogueiro e designer Nick Ellis é o criador do Digital Drops e do AppStore Blog. Além disso ele também é editor do MeioBit, escreve no Blog de Brinquedo e tem muitos outros blogs e projetos prestes a sair do forno.

Um Sherlock Holmes Steampunk na Londres do Século 19

8, janeiro de 2010, 10:15 | Colunas

Um dos melhores da carreira de Guy Ritchie, que certamente vai agradar aos fãs de Snatch.

Antes de falar sobre Sherlock Holmes, o novo filme do diretor Guy Ritchie, é preciso deixar bem claro que este não é o mesmo Sherlock dos livros imortais de Sir Arthur Conan Doyle, são dois universos completamente diferentes. Apesar disto, o personagem Sherlock usa seus poderes de dedução para desvendar todo e qualquer mistério que encontra pelo caminho. O resultado final é um ótimo filme, um dos melhores da carreira do diretor, que certamente vai agradar aos fãs de Snatch.

O inglês Lionel Wigram teve a ideia de fazer uma releitura diferente de Sherlock Holmes e seu fiel escudeiro o Dr. John Watson resolvendo casos não só com a massa cinzenta mas também com os punhos, armas e o que mais estivesse à mão. Para convencer a Warner a bancar o seu filme, o produtor investiu 5 mil dólares do próprio bolso para criar uma espécie de storyboard em quadrinhos, contratando o desenhista John Watkiss, conhecido por Sandman e Deadman, que foi indicado por um executivo da DC Comics. Com o talento e a arte de Watkiss, o trabalho saiu melhor do que a encomenda, e o filme recebeu o sinal verde da Warner. Ao contrário do que muitos estão dizendo, o filme não é baseado em uma graphic novel, já que ela não era nem uma história propriamente dita e nunca foi lançada, mas o estilo ágil dos quadrinhos de John Watkiss é parte integral do filme, e também pode ser visto nos sensacionais créditos feitos pela Prologue.

Como a proposta era esquecer a imagem de dois senhores sisudos, ninguém melhor para alcançar este objetivo isto do um cineasta com uma atitude rock n´roll como Guy Ritchie. O diretor caprichou nas cenas de ação e luta, com muitas cenas em slow motion, mas não deixou de lado a humanidade de seus personagens. O filme é bem focado na dupla de heróis Watson e Sherlock, interpretados por Robert Downey Jr. e Jude Law, que tem uma ótima química. A trama também mostra o relacionamento deles com suas almas gêmeas, vividas pelas estonteantes Rachel McAdams e e Kelly Reilly. A sombra da trama é Lord Blackwood, um vilão muito bem defendido pelo ator Mark Strong. E o alívio cômico fica por conta do simpaticíssimo cachorro buldogue e o inspetor Lestrade. As risadas são garantidas sempre que o cão aparece em cena. O grande temor era que o filme Sherlock Holmes acabasse parecido com Wild Wild West, mas felizmente este não é o caso, porque apesar de usar uma tecnologia steampunk, Sherlock não cai no ridículo como aquele terrível filme com Will Smith e Kevin Kline.

Mas quem rouba a cena é mesmo Robert Downey Jr, um dos meus favoritos desde os anos 80, e que nunca deixa de surpreender. Em Sherlock Holmes ele dá continuidade ao excelente momento que vive em sua carreira, no qual tem interpretado papéis inesquecíveis como Tony Stark e o negão fake de Tropic Thunder. Desta vez Downey empresta seu humor e cinismo para criar um Sherlock Holmes steampunk. O detetive mais famoso da ficção se torna um lutador e um inventor de apetrechos tecnológicos, levando até mesmo um estojo de ferramentas que parece até o cinto do Batman, sempre a postos para resolver qualquer problema que o seu cérebro não possa dar conta.

A Warner acertou em fazer um ótimo filme, mas errou na pré-estreia, distribuindo mais convites do que haviam lugares nas 3 salas de exibição, o que obrigou muitos a assistirem o filme sentados no chão, isto se encontrassem um lugar. O autor Eduardo Spohr não quis ficar e foi embora com uma péssima impressão do filme, do qual assistiu apenas o começo, bem compreensível levando-se em conta as circunstâncias. Este foi um verdadeiro exemplo de marketing ao contrário, já que Eduardo é um formador de opinião através do seu twitter, do seu blog e do Nerdcast, do qual é um participante regular. Falando pessoalmente, eu acho uma grande falta de respeito distribuir ingressos e não garantir o lugar dos convidados. E não, avisar que isto pode acontecer em letras bem pequenas no convite não adianta, porque muitas pessoas tiveram que voltar para casa sem assistir o filme.

E eu quase termino este texto sem falar no que mais me impressionou no filme, a magistral reconstituição da cidade de Londres no século 19 com um clima sujo e violento, com direito até a uma ponte Tower Bridge ainda em construção. Para finalizar, o meu humilde conselho é que você tente assistir a Sherlock Holmes sem ficar comparando o personagem e história com a que você leu nos livros. O filme do diretor Guy Ritchie é empolgante e divertido mas é preciso deixar seus conceitos formados e as suas expectativas do lado de fora da sala de exibição Se você fizer isto, com certeza vai se divertir bastante na sessão.