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Gilberto "Knuttz" Soares

Voto: importante demais para ser ignorado

02/09 - 17:05

 Em pouco mais de trinta dias, cerca de 130 milhões de brasileiros deverão comparecer às urnas para exercer seu voto, o aclamado dever cívico, exercer a oportunidade que temos de escolher, ou pelo menos tentar, àqueles que em nosso nome exercerão o poder.

Salvo algumas exceções, golpes de estado e fraude eleitoral entre elas, o quadro político que atuante em um país é a fotografia de seu eleitorado em determinado momento do tempo, e quanto pior for a capacidade deste eleitorado em escolher, ou, quanto mais desinformado e alheio for o eleitor, pior será este quadro. Sim, eu sei que estou sendo óbvio, mas é preciso. O que talvez não seja tão óbvio, mas certamente solenemente ignorado, é o fato de que quando vemos o escândalo político-criminal da semana, ou quando olhamos para uma grande obra e o primeiro pensamento que nos ocorre é imaginar quem está roubando e quanto, dificilmente paramos para pensar na culpa que compartilhamos nestas patifarias, aliás, geralmente nos indignamos com o que “eles” fizeram, mas a verdade é que nós também somos culpados. Seja por votar sem procurar informações a respeito do candidato, seja por ignorar o processo.

E temos ainda, é claro, o fator teatro de horrores, pleitos cheios de tipos estranhos, como bem colocou o colega Alexandre Inagaki em sua coluna de ontem (01/09/2008), e isso ajuda a piorar ainda mais a situação, visto que o circo formado tende a fazer as pessoas sentirem desdém pelas eleições, a votar de forma inconseqüente, e a optar por uma ignorância proposital acerca de todo o processo. Tenho certeza que não sou só eu que cada vez mais vê pessoas dizendo que não dão a mínima para as eleições, não querem saber de nenhum candidato, aquilo não é com elas.

Perdoem-me os que assim pensam, mas ao se agir desta maneira, se peca por omissão. As eleições dizem respeito a todos que votam, ou já têm idade suficiente para entender o que está acontecendo, é algo muito importante para ser ignorado. Não fique alheio ao processo, independente de sua corrente político-ideológica, procure se inteirar a respeito dos seus candidatos, dedique algum tempo para pesquisar na internet o nome dele ou dela, procure descobrir o que ele ou ela já fizeram, com que seriedade ele ou ela tratara a coisa pública, se ele ou ela são de confiança.

Mas vá um passo além. Sem impor o seu candidato ou sua corrente de pensamento, fale com aquele seu amigo que optou por ser alheio a isso tudo, convença-o a também fazer uma pesquisa e encontrar um candidato que ele considere merecedor de voto.

O parágrafo único, do artigo primeiro de nossa Constituição Federal diz:

Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.

Quem sabe, fazendo um trabalho de formiguinha, nós não consigamos em médio ou longo prazo, fazer com que o processo político seja algo onde se exibam virtudes e idéias, e não aberrações. Quimera, eu sei, mas sonhar não custa nada…

Recomendado: Voto Consciente e Lista dos políticos com processos criminais.