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Edney Souza

Perca orgulho, pergunte-me como

04/09 - 15:55

 Eu tinha 16 anos e provavelmente era tão orgulhoso quanto hoje, odiava quando me tratavam como adolescente, ironicamente hoje eu mesmo trato meu “eu” passado como um jovem que superestimava suas qualidades. Eu trabalhava há dois anos com programação e me achava um dos melhores programadores do mundo, e de fato eu era, trabalhei 15 anos com desenvolvimento de sistemas e pouco aprendi nos 13 anos seguintes.

Eu queria alçar vôos maiores, competir nas categorias mais pesadas, saltar da plataforma de 10 metros, correr a maratona, pena que eu não lutava nada, não fazia saltos ornamentais e aguentava correr no máximo 10 quilômetros, então obviamente me restava “apenas” ser o melhor programador do mundo, que mal há em ser um sonhador?
Eu trabalhava numa pequena escola de computação e tinha certeza de que “aquilo” não comportava todo o talento que eu carregava na minha mente brilhante, espalhei meu currículo para diversas empresas e agências de emprego (não, naquela época não existiam sites de emprego) e comecei a receber diversas respostas negativas em função da minha idade ou falta de formação superior.
Finalmente uma boa alma decidiu me receber e testar meus conhecimentos computacionais, fui psicologicamente preparado para desenvolver qualquer coisa que me pedissem, chegando lá não fiz nenhum teste, fui levado para uma sala para bater papo. O dono de uma pequena empresa começou a me explicar como funcionava o negócio dele e depois me perguntou como eu solucionaria alguns problemas e eu não fui capaz de responder a uma única questão sequer. Todo o conhecimento de tecnologia que eu possuia de nada valia se não tivesse alguém que me explicasse como aplicá-lo, eu era como uma arma carregada, mortífera, mas que não dispara sozinha.
Aquela entrevista serviu para baixar meu topete, e me ensinou que ser um ás da tecnologia, um gênio segundo meus parentes, amigos e professores, de nada valia sem uma orientação adequada.
Hoje trabalhando com diversos sócios e funcionários sou grato por aquele senhor do qual nem lembro as feições, mas me ensinou que tudo aquilo que sei, por mais reconhecimento (ou bajulação) que eu receba dos amigos, precisa de pessoas com qualidades diferentes para orientar e potencializar os resultados.
Você pode ser muito bom em alguma coisa, não há problema nenhum nisso, mas lembre-se de que você não está sozinho (ou pelo menos não deveria estar).