Saia do armário
Muitas informações que antes você não tinha por que revelar, como as músicas que você ouve, agora são de conhecimento público, mas será que isso é um motivo para nos preocuparmos?
Em primeiro lugar ninguém te obriga a divulgar absolutamente nada, exceto naqueles filmes hollywoodianos onde todo mundo tem conta na Suíça e alguém sempre coloca uma arma na cabeça do mocinho para ele digitar a senha. Portanto tirando as preocupações básicas com antivírus, antispyware e firewall que todo usuário de Windows deve ter e um usuário de Mac não precisa ter (porque tem preocupações mais importantes como por exemplo encontrar games que rodem no Apple) minhas demais considerações sobre privacidade se resumem a certificar de que meu RG, CPF e número de celular não estão disponíveis publicamente na rede.
Durante quanto tempo eu não tive de ouvir que blogs eram diários de adolescentes? Até eu ganhar com o blog mais do que o meu salário de gerente de sistemas eram poucas as pessoas que me levavam a sério. Muita gente que jogava Ragnarok comigo reclamava de amigos e parentes que, devido aos gráficos do jogo serem “fofinhos“, achavam que era um jogo de crianças. Mas quando eu conto que paguei R$ 12.000,00 num item do jogo e o revendi por R$ 21.000,00 todo mundo pára o que está fazendo para prestar atenção.
A mesma coisa acontece com as preferências musicais, já vi gente inventar histórias mirabolantes para justificar que uma ou outra música apareceu no seu perfil do Last.FM, poxa, é hora de sair do armário e se assumir, gente. Eu gosto de Suicidal Tendencies, Slayer, Testament e outras bandas de thrash metal mas também gosto de Britney Spears, Lindsay Lohan e Avril Lavigne, parece uma grande incoerência mas eu gosto de vocais femininos, confessemos, é bem mais agradável do um monte de marmanjos resmungando.
Ontem refletindo sobre isso creio que finalmente entendi porque me agrada mais ler blogs de gays sobre celebridades e design do que blogs sobre os mesmos assuntos escritos por não-gays, o fato de ter assumido sua posição sexual numa sociedade que ainda os discrimina requer uma dose de segurança e autoconfiança superior a média, o resultado, na minha opinião, é um texto mais sincero e transparente. Como diz minha esposa, para algumas coisas, como comprar roupas, confio mais na opinião de um gay do que de um hetero.
Talvez esse seja o maior benefício da geração sem privacidade: “não tenho monstros no meu armário”, podem vasculhar minha vida à vontade, não tenho nada a temer. Seré que você não seria mais livre confessando publicamente seus segredos inconfessáveis?
A propósito este post foi escrito ouvindo Fuscão Preto (Almir Rogério), Não se vá (Jane & Herondi), Uma Vida Só (Pare de Tomar a Pílula) (Odair José), Sorria, Sorria (Agnaldo Timóteo), Secretária da Beira do Cais (César Sampaio), Severina Xique-Xique (Genival Lacerda), Freak Le Boom Boom - Me Gusta El Cha-Cha-Cha - Conga, Conga, Conga (Gretchen) e A Cigana Sandra Rosa Madalena (Sidney Magal) e nessa última eu levantei e ainda dei uma “dançadinha”.


