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Edney Souza

Maslow e a Inocência

09/10 - 21:08

Será que estamos investindo nosso tempo naquilo que realmente é importante para atingir a realização pessoal?

Não sei se você já estudou a hierarquia de necessidades de Maslow, se já fez algo relacionado a psicologia ou administração provavelmente já viu a famosa pirâmide das necessidades humanas, na ordem: fisiológicas, segurança, sociais, estima e realização.

Nunca me perguntei onde ficava a necessidade de ter mais tempo no dia-a-dia, tempo para usar como curinga. Se eu vou utilizá-lo para necessidades sociais ou auto-realização é um problema meu, simplesmente quero mais tempo. Quando finalmente resolvi refletir sobre onde esse tempo entra na escala de valores, percebi que o tempo sobra quando priorizamos adequadamente cada área, dedicando apenas o tempo necessário para cada uma delas.

Às vezes nos concentramos tanto em realização pessoal que não cuidamos da saúde, o tempo é o alarme que te avisa de que algo está muito errado. Se você não estiver saudável (segurança) provavelmente não consegue cuidar do que vem acima na pirâmide (relacionamento, estima realização), moral da história: a eterna falta de tempo para ir ao médico uma hora consumirá todo o tempo que temos para qualquer outra coisa.

É impressionante como reclamamos da ignorância alheia mas somos estupidamente ignorantes, a ambição cega nossa razão com tanta frequência que é assustador. No topo da pirâmide encontramos a realização pessoal, composta de aspectos como moralidade, criatividade, espontaneidade, solução de problemas, ausência de preconceito e aceitação de fatos. Parece que estou lendo a capa de alguma revista de orientação profissional. Mas será que sua confiança, vida familiar, saúde e alimentação estão em ordem? Queremos tanto ser bem sucedidos pessoalmente que esquecemos que o tempo tem uso melhor para outras questões.

Na verdade quando falo “queremos” estou incluindo a minha pessoa nessa lista, e sei que muitos que lerão esse texto tem o mesmo tipo de problema com o relógio e as prioridades do dia-a-dia: será que realmente não conseguimos viver de forma mais leve? Outro dia fui cumprimentado de uma forma muito amigável por uma pessoa que eu não via faz muito tempo. O que mais me incomodou foi o fato de sentir que era um cumprimento sincero, que a pessoa realmente estava feliz em me rever, mas que eu não sentia a mesma coisa, onde foram parar meus sentimentos?

A última vez que me emocionei de verdade foi ao receber um desenho de uma criança, eu já ouvi muitas percepções diferentes sobre desenhos de crianças, afinal fui criado por uma educadora infantil e tenho uma pedagoga na família, além de um absurdo de primos mais novos e agora sobrinhos em boa quantidade. Para tirar a prova dos nove sobre essas reações eu pedi hoje no twitter que as pessoas me contassem como foi essa experiência, seguem algumas respostas:

@joaopedroramos: Eu ganhava alguns do meu irmão quando era pequeno. Sempre toscos, mas eu achava legal.

@gabybarone: já. e foi algo estranho. n tenho mto tato pra esse tipo de criatividade e interação infantil. nunca vejo o q eles dizem q é. ¬¬

@rubenscd: já é muito bacana tenho todos guardados e datados… pq vai ser mais bacana mostrar depois de um tempo o que ela desenhou (=

@belsalles: Quando eu dava aulas (sou professora), ganhava vários e amava todos! Todo desenho dado espontaneamente é sinal de carinho.

Infelizmente não dá pra reproduzir todos aqui, foram mais de 40 depoimentos, agradeço todo mundo que respondeu, eu li todos e adorei algumas histórias, impressionante quanta coisa dá pra falar em 140 caracteres. :)

Essas quatro respostas são suficientes para exemplificar o que eu tenho em mente: muitas vezes tentamos analisar o desenho da criança do ponto de vista artístico, eu mesmo não entendi quase nada quando minha mãe me mostrou uns desenhos que fiz aos 5 anos de idade. O que a criança coloca no papel quando faz um desenho e te entrega é sentimento, um gesto de carinho como a belsalles mencionou acima. Ela usa papel e tinta para dar forma ao que sente por você, é uma homenagem, um gesto de admiração e gratidão.

Quando foi a última vez que eu coloquei meus sentimentos em algo que eu fiz? Talvez quando eu conseguir responder essa pergunta eu reencontre os sentimentos perdidos.