Um Animal Político ou Um Político Animal?
Ao longo dos anos, adquiri uma boa experiência com política, eleições e o caráter humano, e este é o assunto do post de hoje. Eu sempre me considerei de esquerda, antes mesmo de saber o que isto queria dizer. É claro que hoje em dia isto já não faz a menor diferença, o que importa mesmo é você analisar cada candidato com muita serenidade, esquecendo nomes e partidos, e tentar perceber pelo menos qual é o mais bem intencionado para assim fazer a sua escolha.
Quando eu era bem mais jovem eu não me interessava nem um pouco por Política, mas hoje em dia, a coisa é bem diferente. Quando eu era criança a Política para mim se resumia a assistir pela TV as paradas com generais e puxa-sacos defendendo as glórias do País que se tornara literalmente um gigante adormecido em berço esplêndido, e isto não era nada empolgante.
Demorei a entender porque aquilo tudo estava acontecendo, e a falta que a Democracia pode fazer na vida das pessoas. Foi só assistindo a filmes e lendo livros muito tempo depois que fui saber o que realmente aconteceu naqueles anos sombrios. Por pior que seja o político que ocupa aquele cargo, pelo menos ele sai no fim do mandato, mas na época do regime militar, as coisas eram muito diferentes.
Pode soar como uma generalização, mas a verdade é que a geração pós-ditadura acabou desprezando a Política, mas unicamente por causa das próprias circunstâncias históricas. Como muitos que nasceram nos anos 70, eu desconfiava de todos os políticos com suas armações, negociatas e escambos sem ter fim. A oposição aos militares se intensificou com o movimento pelas diretas, que inflamou o Brasil inteiro.
Só que o Brasileiro demorou a aprender como votar. Afinal de contas, na hora em que finalmente conseguiu eleger seu presidente de forma direta, o que aconteceu? A emenda saiu ainda pior do que o soneto. O Homem é um animal político, já dizia o grande filósofo Aristóteles. O problema é que no Brasil, existem políticos que são verdadeiros animais, e o Fernandinho é um autêntico espécime do gênero.
Depois daquele dilúvio, veio Itamar, e sua grande paixão pelo Brasil, simbolizada por fuscas e mulheres sem calcinha, você se lembra? Naquela época todo mundo ainda tinha o velho inimigo em comum, a inflação, que prejudicava principalmente quem pouco tinha e não conseguia investir para proteger seus tostões dos juros.
Este fantasma foi finalmente espantado por Fernando Henrique Cardoso, um sociólogo disfarçado de Ministro da Fazenda que roubou a cena do Itamar e depois se tornou presidente por dois mandatos, um correto, e outro para se esquecer. Ainda bem que só votei nele no primeiro. Mas FH foi um ótimo presidente do ponto de vista das relações exteriores, e o Brasil avançou um bocado neste sentido.
Eu sempre tive um candidato certo, desde que tirei o meu título de eleitor. Quando chegava o dia da eleição, eu podia não saber em quem votar para prefeito, governador ou vereador, mas sabia muito bem em quem votar para deputado. Muitas vezes você vota em um candidato e esquece que ele existe, só que neste caso, isto é impossível. Dois anos atrás ele tomou uma atitude na câmara de deputados que deixou o Brasil inteiro orgulhoso, especialmente os seus eleitores. Só que infelizmente, ele sempre foi uma exceção, e não a regra.
Mas com tantas eleições nas costas, hoje eu já sou um eleitor mais maduro. Já sei como a Política mexe com o destino de todos nós. Na Política, assim como na vida, existem pessoas de excelente caráter e outras que não valem o chão sobre o qual estão pisando. Eu já ajudei a eleger prefeitos com o meu voto, para depois passar os próximos quatro anos me perguntando como tinha cometido um erro tão terrível. Desde então, prometi que nunca mais faria isto, e nunca mais votaria em um candidato para derrotar outro.
Sei que não tenho direito a voto nas eleições americanas, mas mesmo assim eu sempre torci pelos democratas e fiquei muito revoltado com a primeira eleição de George W. Bush, que foi totalmente manipulada. Eu detesto a dupla Cheney e Bush, e odeio esta interminável e estúpida guerra suicída do Iraque, o maior desperdício de dinheiro público na história das Américas.
Eu confesso que sou fã do Al Gore até hoje, ele é um craque, não é a toa que é amigo de Steve Jobs e faz parte da diretoria da Apple. E sim, eu também gosto do Michael Moore, se você não assistiu, alugue o DVD de Uma Verdade Inconveniente e Fahrenheit 9/11 e entenda o porque eu gosto desta dupla.
Há quatro anos, eu também torci pela candidatura do John Kerry, mas aí eu já estava prestando mais atenção no discurso do jovem Senador Barack Obama na convenção democrata do que no candidato oficial. O partido meteu os pés pelas mãos e perdeu a eleição de forma patética, e de nada adiantou o Kerry ser marido da ricaça dona da fábrica de ketchup Heinz!
Mas desta vez não teve jeito, Obama é o candidato, só que infelizmente ele não escolheu a Hillary como sua companheira de chapa, e sim o reacionário Joe Biden, mais conhecido por suas associações com o RIAA e o FBI, cuja legislação anti-privacidade permitiu a criada do nefasto PGP (pretty good privacy), ou seja, um inimigo de qualquer entusiasta da tecnologia como eu, por exemplo. Nada pior do que gostar de um candidato e detestar seu futuro vice.
Isso também acontece com John McCain e Sarah Palin. É que eu até simpatizava com o velho Macca, um herói veterano e ex-prisioneiro na guerra do Vietnam, mas depois que ele virou candidato oficial dos republicanos, para mim perdeu a graça. E quando ele escolheu a robótica Sarah Palin, e uma autêntica MILF (termo intraduzível popularizado pelo filme American Pie) segundo o blogueiro Cardoso, ficou ainda pior. O problema de Sarah são suas opiniões radicais e conservadoras, e a sua experiência internacional, que se resume a observar a Rússia do outro lado do Alaska. E não, aquela piscadinha do debate não me convenceu.
Um amigo meu acha que o Obama leva, mas que o McCain seria melhor para o Brasil, porque os republicanos sempre são melhores, muito menos protecionistas e sem o menor pudor exportar posto de trabalho. Eu até concordo, mas argumento que para garantir o futuro da raça humana como a conhecemos, o partido do Bush tem que sair do poder o mais rápido possível. Já basta o estrago que eles fizeram na economia do mundo inteiro, no ato final dos 8 anos de mandato do presidente Chene… quero dizer, Bush.
Voltando ao Brasil, eu votei no Lula no seu primeiro mandato, mas fiquei decepcionado com o seu governo, principalmente por não ter feito as reformas que o Brasil precisa até hoje, e não votei pela sua reeleição. Mesmo assim sempre reconheço os méritos do nosso presidente e do ministro do Exterior Celso Amorim na Política exterior, e acho que a imagem do Brasil lá fora melhorou ainda mais.
Quis o destino que o segundo mandato do Lula caísse bem no meio da atual crise da economia mundial. É claro que, ao contrário do que ele diz, nós já estamos sendo afetados pela crise, mas ela também esconde oportunidades. Pausa para discurso utópico. Se a nossa Bolsa de Valores resistir, e se o Brasil souber aproveitar o atual momento, pode emergir como uma força importante no cenário mundial (ou não). Estas coisas acontecem na história do mundo, é só chegar lá com dinheiro e sair comprando tudo. Bem, o Lula deve saber o que está fazendo, não é? E quem sou eu para dar palpite.
Mas voltando as eleições para prefeito, nestes tempos de segundo turno nós temos duas opções e uma só decisão, que vai definir qual será o futuro dos próximos quatro anos na nossa cidade. Pense com carinho no que você vai fazer. Quatro anos é muito tempo para se arrepender, e se você tem um candidato no qual possa confiar, vote nele e não deixe de convencer os seus amigos.
Felizmente aquele meu eterno candidato a deputado do começo do post virou candidato a prefeito da minha cidade, e está disputando o segundo turno com boas chances de vitória. Espero que você também tenha esta oportunidade de votar em alguém com certeza e convicção aí na sua.
E não se esqueça que daqui a dois anos, nós vamos ter uma escolha tão ou mais importante do que esta, que é escolher nosso futuro presidente. Mas aí já é assunto para outro post.
Para terminar, recomendo a leitura da sensacional revista Feed-se Edição Democracia e a audição do imperdível Nerdcast sobre Política.


