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Alexandre Inagaki

Desmemória da internet

13/10 - 12:41

Durante algum tempo, o Internet Archive se propôs a fazer uma cópia de todas as páginas da Web. Uma tarefa dessas, como era de se esperar, acabou por se mostrar utópica; há anos o site não faz mais backups com a mesma regularidade e eficiência de antes. Uma pena; era um serviço precioso nestes tempos de memórias voláteis e ausência de manuscritos. Hoje, fazendo uma busca nos arquivos do meu blog em 2003, encontrei um post no qual recomendava a leitura de cinco posts. Não me surpreendi ao constatar que nenhum dos textos que referendei na época está disponível online.

Eu, que costumo gravar em meu HD cópias de textos que aprecio, já sabedor da amnésia que aflige a Web, resolvi destinar esta coluna para o resgate dos posts que li e apreciei há cinco anos. Foi bom constatar que, apesar da distância temporal, são textos que sobreviveram bem apesar da despretensão literária (ou até por causa de), por não terem sido atrelados a acontecimentos pontuais daquele cada vez mais distante ano de 2003.

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? Cambalhotas de Irrealidades [Vitor Freire & Alisson Villa]

As mentiras que as verdades contam

- Onde fica?
- Fica duas quadras pra lá.
- Certeza?
- Não, certeza você dobra a esquina e atravessa a avenida.

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? A vida tem dessas coisas [Ricardo Nishizaki]

Lembra quando assistimos aquele filme do Charles Bronson juntos e você ficou me falando que aquilo é que era filme enquanto eu achava um horror? Lembra quando eu aprendi a estourar pipoca na casa de sua tia e a gente comemorou com uma garrafa de Sidra que estava jogada desde o último Natal? Lembra quando eu te conheci, ensinando o seu sobrinho a empinar pipa e jogar bola na rua da minha ex-casa? Lembra da gente se ligando de madrugada, eu me escondendo dos meus pais pra atender o telefone lá na sala sem ninguém ouvir? Lembra daquela vez em que a gente foi lá no Astor e de tanto se beijar nem percebemos que o couro rasgado da poltrona tinha desfiado a minha meia? Lembra dos nossos concursos pra ver quem fazia a maior bola de chiclete? Lembra que você tentou me ensinar o que era futebol e ficava repetindo a escalação do seu time quinze, vinte vezes seguidas pra mim? Lembra da vez em que você me fez a sua primeira declaração de amor, naquela tempestade com a gente na rua sem um guarda-chuva? Lembra que a gente resolveu se beijar ali mesmo, sentados na calçada, e passou o resto da chuva se beijando? Lembra da nossa primeira vez, escondidos naquele banheirinho minúsculo da sua casa, onde só cabia uma pessoa sentada ou duas de pé? Lembra? Não lembra? Ah, vá se foder seu insensível do caralho, cretino, cafajeste! Eu nunca mais quero saber de você, seu idiota, cachorro de uma figa! Morra!

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? Evasão de Privacidade [José Vicente] - fora do ar

O Que é a Literatura Pop

De uns tempos para cá surgiu um meme chamado ‘literatura pop’. Repetido nos grotões da Internet profunda, ganhou ares de acontecimento cultural e foi entendida como ícone generacional. Qual geração? Jovens de vinte anos, apaixonados por rock, vidas afetivas em crise, egressos de faculdades de comunicação, trabalhando em setores moderninhos, esperançosos de que você os compreenda em sua infinita urgência. E é isso. A literatura pop pode ser resumida nestas cinco linhas. O que já dá uma dimensão de sua relevância.

A literatura pop requer o reconhecimento. Ela é ? diz-nos sua auto-percepção propagandística ? retrato de uma época. Toda época precisa de retratistas. Tratar-se-ia de uma série de cronistas ligeiros que percebem a superficialidade de uma faixa da cultura jovem e a filtram pela subjetividade, tendo como resultado romances vazios porém profundos: supérfluos porém necessários. Neste processo, muitas piscadelas serão arrancadas ao leitor. Cada referência à bandinha de rock é aceno à identificação. Nós somos você ? é o que se diz.

Mas nós não somos você.

A literatura pop não é inovação. Não é sequer um produto cultural deslavadamente farsesco. Não é uma lata de sopa Campbell. É um sopão Maggi. Uma empulhação sem gosto. A interiorização psicanalítica de segunda mão faz as vezes dos pedacinhos de cenoura: lembrança de que o engodo só é patético porque se leva a sério.

A literatura pop é literatura para quem não gosta e não sabe ler, e, agora, depois de velho, tem vergonha de apelar para os livros de pano. Nem se diga que se trata de epifenômeno da arte pop. A arte pop foi revolucionária. A literatura pop é trivial, conformista e infantilóide. Coisa de quem imagina que basta uma cultura musical exibicionista para ser feliz. Não é retrato de uma geração. É retrato da falta de talento de alguns escritores, aliado à percepção mercadológica de algumas editoras e à falta de gosto de alguns leitores.

Trivial. Seus autores não escapam da banalidade cotidiana mais rasteira, sem que disso se possa extrair o que quer que seja. Nada se aprende. Nada se esquece. Nada se sugere. Nada choca. Não há moral. Não há anti-moral. Não há a propalada ‘ausência de sentido’. Dentro em breve já se concluirá que a literatura pop sequer existe.

Conformista. A literatura pop é como o mau lutador: bate no saco para ganhar. Apela para o romantismo ginasiano. O resultado é ginasialmente romântico.

Infantilóide. A literatura pop não almeja a seriedade. Quer divertir. Talvez sirva como guia de cds. Talvez sirva como apoio para copos. Talvez não sirva para nada.

Conclui-se.

A literatura pop é apenas mais um crime contra as árvores.

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? Perolada [Tatiana]

conclusões

Entendo perfeitamente o motivo pelo qual a associação de dieta e ginástica é infalível pra ficarmos com o corpinho bão: é remorso. Remorso puro. Convenhamos, fazer exercício dói. Tá certo, melhora com o tempo e fica até gostoso, vicia e coisa e tal, mas no começo dói. Pra burro. Muito. Chega a tremer. E não, não estou fazendo drama, essa é a vida como ela é. Depois de nos matarmos na academia, é sacanagem escorregar na alimentação. Ontem, depois da aulinha que me exauriu (estou recomeçando, baby steps), duvidei que podia descer a escada. Minhas coxas olhavam pra mim, perguntando “tem certeza? Não dá pra ficar aqui em cima mesmo?”. Expliquei que não, que a gente tinha que ir pra casa, que a Tati iria dar banho nelas e passar creminho, que ia valer a pena. Juro que elas miaram de volta. Jantei sopa de beterraba. Já disse, é remorso.

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? Estranhas Palavras [Ander]

love internético

blog do ®od®iguinhu, terça-feira, 15:38 bixu, c num tem noçaun da tarde qeu tivi hoji: mtus bjinhos na tal di £@u®@, tempu todu… xou di bola, manu!!!!! :) mina mó legau, peitchinhu e tudu, kra, sem noçaun, mtu boun de dar bjos, ela fikou toda saidinha comigu e disse preu ir di novu… qui ispetaculu!!!!!!

blog da £@u®@, terça-feira, 16:12 ai, ai… vxes naum sabeim o qui aconteceu comigu hoji a tardi: u digo veiu aki in ksa. ai, eli eh taum meiguxinhu, taum bunitinhu, taum gatinhu, taum quiridinhu… eu tava suzinha e eli veio pra zenti faze us temas di matemática. ah, num fizemus nada, né, que ningueim mereci issu!!! ficamus di novu na minha kma, deitadinhus, dandu bjinhos, e passandu mãozinhas… ai,ai… eli é taum fofuchinhu… tou gamadinha neli… queru eli todinhu pra minzinha… queru ver eli dinovo jah!!!!! DIGUINHU, BJINHOS PRUCÊ!!!

blog do ®od®iguinhu, quinta-feira, 13:07 manus: a mina gamou ni mim!!!! eu sou PHoda!!!! diz qui quer + bjinhos meus todus dias, véiu!!!mandei mto bem!! e tinha mto kra afins dela, mas o negóciu é comigu. cum o papi aki!!!!!! ela tah querendu me ver no çaiber hoji. podi cair fora todu mundu qui a £@u®@ eh minha!!! hehehehe!!!!

blog da £@u®@, sexta-feira, 17:54 ois zentis!!!! vxes tem algum aparelinhu pra medir o coraçaum? pq u meu tah batendu MTO MTO MTO MTO MTO pelu diguinhu!!! meu meiguxinhu… hoji eli veiu ai em ksa dinovu e a zenti naum feiz nadica dus temas di biologia dinovo… a zenti nunca faiz nadica qdo tá juntu… eh qui naum dá pra prestar atençaun com eli do meu ladinhu, todu bunitinhu cheirosinhu, fortinhu… ai, ai… soh de lembrar jah me rrepiu todinha… achu que vou na ksa deli no findi… si eu fikar todu findi sem ver eli, vou morrer de saudadinha… e eu naum queru, pq eu queru ver eli sempri!!!!! DDIIIIIIIIIIIIIIIIIGUUUUUUUUU: saudadi, saudadi, saudadi di vc…

blog da £@u®@, domingo, 10:43 TÔ TRISTINHA!!!!!!!! :(((((((((( mtu tristinha… meu diguinhu naum tava em ksa qdo fui visitar. SACU ISSU!!! NINGUEIM MERECI!!!! a mãe deli diz qui foi pra praia cus amigus e voltava hoji a noiti… aaaahhhh mas eu num cunsigo esperar… eu queru ver eli!!! KERU, KERU, KERU!!!! DIGUINHU!!! CHEGA LOGO E LIGA PREU!!! saudadi de vc… vem dah bjinhos na tua £@u… HAHAHA!!!! morraun do inveja!!!

blog do ®od®iguinhu, segunda-feira, 14:21 EU SOU PHODA!!! PHodinha nadja, meu… PHODAUN!!! fui curti umas ondas no findi, ali em capaun, xou de bola o marzinhu… e inda fumus pra baladinha no sabadun e me dei bein… MTU BEIN!!!!! dei bjUs na martinha!!! nem parece aquela chatinha do anu passadu… tá taun bunitinha… bundjinha lindja!!!! CÔSA LÔCA!!!! MANUS: TÔ ME DANDU MTU BEINS COM A MULHERADA!!! TÔ NEM AÍ!!! TÔ NEM AÍ!!! quem mi quiser é só vim aqui!!! HUAHUAHUA…

blog da £@u®@, segunda-feira, 21:13 discubri o blogui do rodrigo… odeiu eli… mi odeiu…

blog da MaRtInHa, segunda-feira, 23:00 evolução os dias passam, a idade chega e mesmo assim as pessoas não evoluem, não crescem, não viram adultos… a maioria das meninas é assim: acredita em tudo que os meninos dizem pra ela… e olha que sou novinha pra prestar atenção nestas coisas, mas é verdade… eu tô mais descolada que muita garota por aí, mas não vou deixar de tirar minha casquinha… facilitou comigo, tô beijando, não importa se tem alguém ou não… sou novinha, não bobinha, né??