Felipe Massa e a demarcação de território
Na madrugada de sábado para domingo, por volta da uma e pouco da manhã, Felipe Massa ganhou mais um fã, este que vos escreve. Eu já gostava, respeitava e admirava o trabalho do jovem piloto brasileiro, o considero tecnicamente exemplar, bom ‘acertador’ de carros, e muito arrojado, mas na segunda volta, mais precisamente na curva 11 do circuito de Fuji, eu virei fã do piloto.
Não, eu não aprovo atitudes anti-desportivas, e não considero desonestidade meio válido para vitória, entretanto, existem momentos na sua vida em que você precisa se fazer respeitar, e foi exatamente isso que o Massa fez quando entrou de forma calculadamente inconseqüentemente naquela curva.
Visto como fato isolado, não há a menor dúvida de que seria algo feio, mas qualquer pessoa que já acompanhe a Fórmula 1 há algum tempo para entender o comportamento dos carros e pilotos, e que tenha acompanhado mais especificamente esta temporada, já deve ter notado que de seis ou sete corridas para cá, Hamilton tem ganho posições na pista justamente por ser inconseqüente, deixando propositalmente o carro “espalhar” em curvas, disputando posições meio que na base do “sai, senão eu bato em você”, ele tem pago para ver, e tem levado sempre.
Sábado foi diferente. Enquanto ele foi vítima de sua própria tática na primeira curva, quando perdeu posições ao “espalhar” o carro para cima de Raikkonen, foi Massa que colocou a faca nos dentes na base do “sai, senão eu bato” e bateu no carro do inglês no momento citado no primeiro parágrafo. Neste momento, Massa estabeleceu seu território e impôs, jogando pelas regras do adversário, respeito. Se a imposição foi suficiente só vamos saber na próxima temporada, já que nesta, sair da pista levando o brasileiro, é lucro para o inglês.
Existe uma lição a ser tirada deste episódio: saber como se fazer respeitar.
Não, eu não estou dizendo para você sair por aí batendo nos outros, muito menos que entre em atritos a troco de nada, longe disso. Mas o fato é que nós lidamos, desde de crianças, com pessoas que sentem a
mórbida necessidade de desfazer dos outros para se destacar, e isto é, infelizmente, mais normal do que deveria ser. Identificar estas pessoas, e ponderar estes comportamentos é essencial tanto na vida pessoal quanto profissional.
Não sei quem de vocês assistiu ao filme Lobo (Wolf, 1994), com Jack Nicholson, Michelle Pfeiffer e James Spader. No filme, Nicholson interpreta um editor de livros que se vê traído, tanto no âmbito profissional quanto no âmbito pessoal, pelo pupilo - interpretado por James Spader. Em determinada cena, Nicholson, que a esta altura do filme já está com os instintos de lobisomem muito apurados, urina sobre os pés de Spader, para tal como um lobo, marcar seu território.
Fica então a dica, é importante para uma boa convivência social a hora de saber relevar ou não, e essencial para a vida profissional, saber identificar o momento de, figurativamente falando, “botar para bater”, como fez Massa, ou, marcar seu território, tal como fez Nicholson.


