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Gilberto "Knuttz" Soares

Entenda as eleições dos EUA

28/10 - 18:00

Quem for um pouco mais velho, deve lembrar-se da celeuma em torno do pleito para presidente dos EUA em 2000, quando Al Gore teve mais votos populares que George W. Bush, e deve-se lembrar também que o centro da celeuma foi o estado da Flórida, onde George W. Bush venceu por algumas poucas centenas de votos, sendo declarado assim o vencedor no estado e merecedor dos votos daquele colegiado.

 

Dentro de exatamente uma semana, os EUA irão novamente definir quem será seu próximo presidente, e a idéia da coluna de hoje, é explicar alguns dos fatores que levam muitos a afirmar que eles são a maior democracia do mundo, idéia que ficou abalada com os eventos de 2000, bem como funciona o voto colegiado, que por três vezes alçou ao cargo de presidente do país, o candidato menos votado nas urnas.

Costuma-se dizer aqui no Brasil que as urnas são a voz do povo, hora podemos escolher o legislativo e executivo municipal, hora podemos escolher o executivo e legislativo federal e estadual. Nos EUA esta máxima é amplificada. Por lá, além de escolher os legisladores e governantes como fazemos aqui, eles votam em várias posições judiciais, como promotor de justiça, procurador do estado, fora o fato de que os eleitores são convidados a votar em diversas proposições, dando ao povo o poder de aprová-las ou vetá-las. Em tempo, isto é importante porque no sistema federativo norte-americano, os estados são muito mais independentes que no brasileiro, fazendo com que suas leis estaduais tenham muito mais peso que aqui.

Em vista a quantidade de cargos e proposições votadas, viu-se necessário criar uma forma tecnologicamente avançada para a contagem dos votos, procurava-se uma maneira de analisar os diversos itens constantes de cada cédula, e fazê-lo de maneira consistente, rápida e passível de verificação. E o sistema mais moderno encontrado, foi de cartões perfurados. Assim nasceu em 1965 o IBM Votomatic (foto abaixo).

Os anos passam, e o sistema continua a ser usado, a despeito da criação métodos mais modernos, como o criado o sistema computadorizado criado no meio da década de 1990, e que ainda hoje usamos no Brasil; o argumento usado por muitos estados para não usá-lo, é que não havia maneira de garantir que o sistema não estava de alguma forma viciado, mas aí chegamos ao ano 2000 e a confusão cartões perfurados ?borboleta? da Flórida.

 

Não há como se afirmar se houve ou não má fé na confecção dos cartões em um dos condados do estado, o fato é que em vez de concentrar todos os nomes em uma só lateral, decidiu-se por publicá-los de forma intercalada, na foto acima você vê que todos os nomes estavam à esquerda do gabarito, na foto abaixo, você verá que eles estão dos dois lados. Isso fez com que muitos eleitores se confundissem e marcassem a segunda casa, já que o nome do candidato democrata era o segundo a aparecer, confuso, não? Bem, dê uma olhadinha na imagem abaixo, e note o seguinte, o voto em Al Gore era para ser na casa marcada com o número 5, e muita gente votou na casa marcada com o número 4. Como separar quem votou em Pat Buchanan querendo de quem votou por erro? Impossível, não concorda?

 

Este fato disparou uma batalha legal entre os dois candidatos, que exigiram recontagens e mais recontagens de votos até que a Suprema Corte do país definiu qual recontagem valeria, definindo assim o pleito em favor de Bush que venceu Gore por apenas 537 votos populares no estado!

E que diferença esses votos faziam? Toda.

Aqui entramos no sistema colegiado.

Ao contrário do Brasil, que tem um sistema de votação direta, quem leva mais votos populares ganha e acabou-se, o presidente dos EUA é escolhido por voto colegiado. Neste sistema, cada representante do povo junto ao Congresso Federal, cada congressista (deputado federal), tem o peso de um voto no colegiado. E a constituição do país permite que cada unidade federativa defina como os votos colegiados serão exercidos, proporcional ou totalitariamente, mas quase todos os estados norte americanos optam por dar os votos totais de seu colegiado ao candidato que venceu a eleição popular no estado, tenha esta vitória sido por um voto, ou por um milhão deles.

A Flórida valia, em 2000, 25 votos colegiados, e com ela George W. Bush ganhou a eleição somando 271 votos contra 266 de Al Gore. Tempos depois, pensou-se em pedir uma recontagem de todo o Estado da Flórida, mas a idéia foi abandonada em face aos tristes acontecimentos de setembro de 2001.

Dentro de sete dias a maior democracia do mundo vai novamente eleger seu presidente. Felizmente, quase todos os estados abandonaram o método de voto com cartões perfurados. Que se faça a história