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Pedro Jansen

Eu não sou daqui

05/11 - 21:07

Duro admitir que foge do padrão do visitante sedento: conhecer o máximo de pontos turísticos no menor tempo.

Aí que lendo um post da sobrinha Liv Brandão, em que ela fala sobre as idas ao Jóquei Club do Rio de Janeiro, atinou em mim o lado capial, matuto, caipira, e fiquei pensando que talvez o Jóquei Club seja um lugar bacana pra pagar de turista, mesmo que o propósito seja apenas a aposta nos cavalos e a cerveja gelada. 

E em seguida pensei que provavelmente eu passaria anos sem pisar no Jóquei Club, se eu morasse no Rio de Janeiro. Mesmo se minha casa fosse colada a ele. Ou dentro dele.

Mas então que eu não moro no Rio, e sim em São Paulo. E aí isso me faz parar para pensar no seguinte: são pouquíssimos os pontos turísticos da paulicéia que eu conheci por vontade própria. Quando cheguei a São Paulo, me encantei de cara com a Avenida Paulista. Isso, para alguém que sempre teve sede de concreto, era mais do que natural. Mas, quando cheguei a São Paulo, era uma sexta-feira de sol e feriado, e logo na segunda seguinte comecei a trabalhar.

E isso firmou muito em mim a urgência de aprender as coisas práticas de São Paulo, e que iriam resolver minha vida de imediato. Não havia tempo para pontos turísticos. MASP? Memorial da América Latina? Parque do Ibirapuera? Bairro da Liberdade? Mercadão? Pinacoteca? Museu da Língua Portuguesa? Tudo isso fazia parte de um universo distante em espaço e imaginação. Eu estava interessado mesmo era em trabalhar. Não que quem vá a pontos turísticos não esteja, mas não era minha prioridade.

Tenho amigos aqui em São Paulo que costumam dizer que eu sou o perfeito paulista. Apressado, atrasado e sem dar a mínima para os lugares e as histórias que a cidade reserva para ele. Não costumo concordar com generalizações, mas até que acho essa pertinente.

A primeira vez (e única até o momento) que fui ao MASP foi para cumprir uma aula de Artes Plásticas na especialização de Jornalismo Cultural. O Memorial da América Latina eu conheci à noite, sem ligar para as linhas e traços e me concentrando no péssimo show que acontecia por lá. O Ibirapuera me foi apresentado en passant, quando a minha amiga Karine Tito foi até lá inscrever-se num curso a ser ministrado do MAM. A Liberdade já foi um pouco diferente, já que me meti no meio da multidão desorganizada da feira de domingo que lá acontece. Mercadão só fui depois de arrastado pela família do amigo Jader Pires [a quem sou muito grato pelo ótimo passeio]. Pinacoteca e Museu da Língua Portuguesa ainda estão desconhecidos e devem ficar assim por um bom tempo.

Não, não é desfeita com a cidade nem nada. Só não me sinto turista em São Paulo [muito embora eu demonstre claramente não ser daqui, dada a minha desorientação em relação à cidade]. Mas não há nada que me atraia para esses lugares, por mais fantásticos que eles sejam.

Claro que conheço não-paulistanos e paulistanos que vão para o lado oposto do que digo aqui, mas é que na real mais me interessa conhecer um boteco novo na Rua Augusta que ver os quadros da pinacoteca.