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Nick Ellis

A missão de salvar o mundo

07/11 - 18:15

A nova esperança da humanidade se chama Barack Obama!

Barack Obama é um predestinado. Ele nasceu para ser Presidente dos Estados  Unidos da América, e direcionou sua brilhante e meteórica carreira política nesta direção, atingindo o objetivo em cheio, com toda a força. É com muita alegria que escrevo estas palavras, ainda emocionado pelo discurso de Obama, que deixou muitos brasileiros acordados até quase 4 horas da manhã com os olhos embotados de lágrimas na frente da televisão, assistindo aquele evento tão histórico quanto a chegada do homem na Lua.

Mais do que ser o primeiro Presidente negro, ou afro-americano, ele nos enche de orgulho por ser uma pessoa jovem, que além de ser muito inteligente e perspicaz, também é um orador brilhante, capaz de deixar multidões emocionadas vibrando por causa da sua eleição como se fosse uma final de Copa do Mundo, em uma grande onda de otimismo que varreu todo o planeta, menos as bolsas de valores, estas eternas ranzinzas. E eu adoro o fato dele ter nascido no Havaí, um estado sempre esquecido por ser uma ilha isolada do continente.

Obama é mais do que um grande homem afro-americano, ele mais uma prova de que o que faz um grande homem não é a sua raça, credo ou cor, é o que ele pensa. Sua eleição é um verdadeiro divisor de águas, um evento que já foi muito bem comparado a queda do muro de Berlim. E Obama parecia saber disto desde o início da sua carreira, quando usou a sua educação de Harvard para se tornar um advogado defensor da população mais pobre de Chicago, já cimentando as bases da sua futura campanha presidencial.

Durante a campanha, Obama deixou de lado de forma genial as questões raciais, voltando os seus holofotes para o que realmente importa, a situação crítica da economia norte americana, devastada por uma guerra sem motivos, sem princípios e sem perdão. Ele mostrou ao eleitorado de forma muito eficiente que George Bush conseguiu com isto dobrar o déficit público dos Estados Unidos e transformar o superávit das reservas de Clinton em um monstruoso déficit.

Obama não chegaria onde chegou sozinho, afinal de contas ninguém chega nesta vida. Durante toda esta caminhada, ele teve o apoio incondicional de uma grande mulher. Além de ser uma brilhante advogada de opiniões fortes e seguras, Michelle Obama também é capaz de fazer discursos sozinha, angariando votos para a campanha do seu marido, como provou nestas eleições quando Barack se retirou por dois dias para visitar a sua avó que estava partindo, dando mais uma prova de que é um ser humano acima de tudo. Ele tem muita sorte de ter Michelle ao seu lado, e sabe muito bem disto.

Do outro lado desta moeda, John McCain nunca foi o candidato ideal para os republicanos mais ferrenhos, porque era da ala mais liberal dentro do partido. Mas agindo com a inteligência de uma raposa, soube alcançar a sua indicação com maestria, e chegou a preocupar os democratas, por ser um candidato que poderia roubar votos do partido. Só que para conquistar o seu espaço, John entrou de cabeça no espírito da campanha republicana, e surpreendeu seus antigos admiradores com posições radicais típicas do Presidente Bush, a quem ele representava.

Seguindo a sugestão de um blogueiro, McCain recrutou a inexpressiva Sarah Palin para ser sua companheira de chapa, quem sabe de olho nos votos dos eleitores de Hillary Clinton que poderiam vencer as eleições. Só que isto provocou um certo descontentamento de setores do partido republicano, e Obama acabou com a pose da governadora do Alasca com sua frase sobre o porco de batom. Mas a verdade é que a estratégia de escolher uma mulher para vice chegou a dar certo durante algumas semanas, animando os republicanos, isto antes que o céu caísse sobre nossas cabeças, com o agravamento da crise econômica nos Estados Unidos.

Desde então Obama disparou nas pesquisas, e conseguiu chegar a um feito impressionante, não só vencendo por uma ampla maioria, como conquistando para os democratas territórios tradicionalmente republicanos e ampliando a maioria no congresso nacional. É preciso dizer que no discurso de despedida da sua campanha, McCain demonstrou muita elegância e sabedoria ao apoiar incondicionalmente o novo Presidente eleito, e defender a idéia de um país unido, e ressaltar a grandiosidade da vitória de Barack Obama. Neste momento, John mostrou que a admiração que eu sempre senti por ele não era em vão.

Uma das razões para o retumbante sucesso de Obama é que ele também contou com o apoio de muitos republicanos e conservadores, e entre os mais notórios podemos citar o aval de Colin Powell, ex-secretário de estado da administração Bush/Cheney e o de Susan Eisenhower, neta do lendário Presidente Dwight “Ike” Eisenhower, entre muitos outros, como você pode conferir no site Republicans for Obama.

Eu sempre acompanho as eleições nos Estados Unidos como quem torce por um filme no Oscar, e acho que não preciso nem dizer que os meus favoritos são sempre os democratas. Depois da ressaca deixada pelos problemas na recontagem da Flórida em 2000 quando meu ídolo Al Gore ganhou, mas não levou, e depois da frustração da derrota anunciada do Senador John Kerry em 2004, finalmente um candidato democrata consegue vencer as eleições no país que pode até estar em apuros financeiros, mais ainda é uma das maiores potências do mundo. Isto para mim é motivo de alegria, exaltação e esperança.

E se fosse só isso, já seria emocionante, mas isto não é nem o começo. Se você me disser que Obama vai enfrentar uma verdadeira avalanche de problemas, e que nunca teve experiência administrativa, eu concordo inteiramente, mas acontece que considero ele o homem certo para este serviço. Os governos republicanos sempre foram considerados como bons para o andamento da economia, mas é só comparar os 2 governos de Bill Clinton com os 2 desastres de George W. Bush para ver que esta banda não toca mais assim desde o tempo do Reagan.

Eu estava lendo um fato muito interessante. Pela primeira vez desde 1977, duas crianças vão morar na Casa Branca. Esta é uma ótima notícia, porque ao se preocupar com suas filhas Sasha e Malia, Obama se torna a personificação de todos os pais que se preocupam com seus filhos, que sonham em criar um mundo melhor para o futuro de todas as crianças deste mundo que ainda depende de recursos escassos e não renováveis.

Todo mundo torce para que Obama contorne a crise, e se ele conseguir, vai se tornar um autêntico herói. Tentar consertar o mundo é uma tarefa árdua, e Obama tem 8 anos de muito trabalho pela frente para acertar os Estados Unidos. A expectativa de todos é muito grande, e Obama é apenas uma pessoa, mas todos os povos do mundo torcem para que ele consiga fazer a sua tão prometida mudança.

Em relação aos Estados Unidos, que Obama cuide muito bem da economia, como nos tempos do Presidente Clinton, quando os americanos eram felizes e sabiam muito bem disto. Que ele recupere o orgulho dos norte americanos, e comande a reaproximação da sua nação com os seus inimigos e antagonistas.

Que além de um grande Presidente, Obama seja um grande pacifista, na melhor tradição de grandes democratas como Jimmy Carter e Bill Clinton. Que ele siga logo o conselho do nosso Presidente Lula e revogue o nefasto e absurdo bloqueio a Cuba, e sobretudo, que ele ouça seu amigo Al Gore e assine de uma vez o Protocolo de Kyoto.

A eleição de Barack Hussein Obama muda o balanço do mundo, e abre novas perspectivas ambientais e sociais que podem mudar o futuro da humanidade. Eu só posso dizer que é muito bom estar vivo para acompanhar este momento especial da história dos Estados Unidos. O mundo inteiro agradece, aplaude de pé e pede bis.

Bravo, Obama!

 

 

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Foto: REUTERS/Jim Young