Lei de Gérson e a ética na web nacional
Há coisas que nunca mudam no Brasil, como a mania de querer levar vantagem em tudo.
Em 1976, um cidadão hoje conhecido apenas por Gérson de Oliveira Nunes, fez para uma marca de cigarros um comercial que bradava uma das coisas que havia, e infelizmente ainda há, em menor intensidade, mas há, de pior no Brasil. Dizia ele:
“Gosto de levar vantagem em tudo, certo? Leve vantagem você também”
Gérson, que antes do anúncio era conhecido apenas como o “Canhotinha de Ouro”, um dos brilhantes jogadores da seleção tricampeã de futebol da Copa do México em 1970, capaz de dar passes geniais, ao positivar, de certa forma, esta máxima brasileira, teve-a atrelada ao seu nome. A Lei de Gérson virou a expressão mais pura de uma das piores facetas do caráter coletivo do Brasileiro, aquele da pessoa que quer tirar vantagem em todos os aspectos da vida, independente de qualquer conseqüência, mesmo que nefasta, que traga a terceiros.
Com o passar do tempo, felizmente, as manifestações públicas de malandragem têm aos poucos se arraigado. Hoje é cada vez mais comum as pessoas mandarem para o final da fila, os furões. Louve-se isso. Eu nunca admiti ninguém furando fila na minha frente, e ainda lembro do final dos anos 1980, quando a reação das outras pessoas faziam parecer que eu estava errado por não admitir malandro na minha frente, hoje a coisa já mudou um pouco de figura, e quando se age desta forma, têm-se apoio.
Entretanto, longe dos olhos alheios, a malandragem ainda continua. Como um ou outro aqui deve saber, eu mantenho um site agregador de links na estética Fark.com, que analisa cada link que vai ao ar. Quando eu fui convidado para fazer parte do projeto Yahoo Posts, minha primeira pergunta foi como seria o processo de aprovação de links, se inteiramente automático, nos moldes do Buzz, ou se seria moderado.
O motivo da pergunta foi simples, uma quantidade considerável de editores nacionais, irrisórios em termos percentuais, mas face ao gigantismo da web grandes o suficiente para atrapalhar a vida de quem trabalha sério em termos absoluto, alia uma quantidade excessiva de auto-indulgência, com pouco bom senso, e não raro, ética escassa; esta mistura foi a responsável por corroer os sites nacionais que trabalham com geração de conteúdo por crowdsourcing, e criou um comportamento digno da mais pura Lei de Gerson, uma parte dos editores de web nacional, precisam deixar o comportamento de 1976, em 1976.
Que o crescimento venha por merecimento, que o crescimento venha da publicação de conteúdo de qualidade, que o crescimento venha por uma união saudável em que as partes se incentivem linkando o conteúdo relevante que produzem, dando aos seus visitantes motivos para que eles façam os sites crescerem, e não através de artifícios pútridos.
Que a ética prevaleça na web nacional.


