As dúvidas dos pais modernos
Volta e meia eu paro, e fico olhando meu filho, imaginando qual será meu próximo passo, o que eu vou fazer, falar, como vou conduzi-lo. Estes momentos geralmente são precedidos de alguma pergunta embaraçosa, uma afirmação que mais parece provinda de um adulto, ou até mesmo de algum feito incompatível com a idade, como o que me provocou a escrever esta coluna. Ontem, eu substituí o micro rodando Windows que ele compartilhava com sua mãe pelo meu notebook que roda Ubuntu (Linux) e em menos de 10 minutos ele já estava sentindo-se em casa, mudando papel de parede, abrindo o Gedit, um editor simples de texto, e escrevendo as historinhas que tanto gosta, enquanto escutava rock, vindo de vídeo clipes no Youtube.
Sua geração, a 2000, nasceu em meio a um manancial enorme de tecnologia, informação e conteúdo, além, é claro de um nível de competitividade muito alto, temos a consciência de que quando ele entrar no mercado de trabalho precisará estar muito mais bem preparado do que eu estive, ou meu pai antes de mim. Para ele não bastará o inglês, e sua necessidade de compreensão muito mais aberta que a da minha geração.
É um reflexo puro de nosso tempo, e nós, eu e Cris, minha esposa e mãe dele, precisamos educá-lo para um futuro que virá a galope, e o fazemos com a idéia de que nenhuma pergunta é tola, nenhuma pergunta recebe resposta imbecilizante, ou como era popular no passado o famoso “cala a boa menino”, o educamos para perguntar sempre, perguntar tudo, no máximo explicamos que aquele assunto específico que ele quer saber é algo que, no momento, está além de sua compreensão, mas que no devido tempo ele terá a resposta que procura.
E aqui mora todo o dilema, como qualquer pessoa pode pesar a quantidade de informação que estas crianças podem absorver sem que isto interfira com o fato mais importante, o de que são crianças? Até que ponto esta informação vai ser firmada em suas pequenas cabecinhas, e a partir de que ponto, ela vai assoberbar sua mente gerando um risco de bloqueio? Sinceramente não sei.
Amar, educar, prover, orientar, ajudar, ser amigo e pai, são coisas gratificantes, mas que te colocam em eterna insegurança, será que a ação que eu estou fazendo agora, refletirá de maneira positiva no futuro do meu pequeno? Mesmo quando meu próximo filho ou filha vier, provavelmente um ‘geração 2010′, todas as dúvidas ainda persistirão, aliás, acho que elas nunca irão embora, fazem parte do processo de amadurecimento dos pais que optam por criar os filhos para o mundo, e elas existem simplesmente porque, afinal, o que todos buscamos é o melhor para nossos filhos.
Agora deixa eu ir, que ele quer que eu crie um blog para ele falar de animes…


