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Nick Ellis_

O empresário, blogueiro e designer Nick Ellis é o criador do Digital Drops e do AppStore Blog. Além disso ele também é editor do MeioBit, escreve no Blog de Brinquedo e tem muitos outros blogs e projetos prestes a sair do forno.

Uma jam session com Jimi Hendrix

5, dezembro de 2008, 19:20 | Especiais

Reconhecido em todo o mundo como um dos maiores guitarristas de todos os tempos, Jimi Hendrix teve uma vida curta, mas vivida com intensidade até o último segundo, deixando a sua marca na música entre gravações, performances em vídeo e composições imortais. Sua relação com a guitarra era carnal, ele nunca se separava da sua guitarra, chegando até mesmo a dormir com o instrumento.

Nos Estados Unidos ele era apenas um guitarrista ágil que acompanhava Isley Brothers e Little Richard, mas depois que foi tocar na Inglaterra ele se tornou um mito, ao ser lançado por Chas Chandler, baixista da banda The Animals. A raiz da música de Jimi era o Blues de grandes mestres como Muddy Waters, mas ao longo dos anos ele foi muito além disto, criando seu próprio estilo ao juntar doses de psicodelia, Beatles e Bob Dylan.

No dia 12 do mês passado faleceu Mitch Mitchell, um dos maiores bateristas da história do Rock, e um fiel escudeiro de Jimi. Ao lado do baixista Noel Redding, Mitch foi um dos integrantes originais da banda Jimi Hendrix Experience que revolucionou a música como conhecemos quando surgiu em 1966 na Inglaterra.

O som da bateria de Mitch tinha um DNA próprio, que o destacava de qualquer outro, talvez graças a influências jazzísticas de músicos como Max Roach. Dizer que a sua química com o mestre das guitarras era perfeita é pouco, eles se entendiam como duas almas gêmeas.

Em fevereiro deste ano também tinha morrido o outro baterista de Hendrix, Buddy Miles. Buddy conheceu Jimi no começo dos anos 60, quando os dois eram músicos de estúdio nos Estados Unidos. De cara, ele reconheceu que Hendrix era alguém muito especial. Os dois ficaram amigos, fizeram muitas jams juntos e Jimi produziu os dois primeiros álbuns da Buddy Miles Express em 1969.

No mesmo ano Jimi fez história no lendário Woodstock, ao tocar ao raiar do sol com a banda Gypsy Suns and Rainbows, no show mais marcante do festival que definiu a década de 60. A banda trazia Mitch Mitchell na bateria e Billy Cox no baixo. Cox era um amigo pessoal de Jimi que se alistou no exército ao seu lado e por pouco não foi o baixista da Jimi Hendrix Experience no lugar de Noel Redding.

Após o lançamento de Electric Ladyland, o derradeiro e definitivo clássico da Jimi Hendrix Experience, Jimi, Billy Cox e Buddy Miles se juntaram na Band of Gypsys. A banda marcou época com canções contra a guerra como Machine Gun. As gravações ao vivo da Band of Gypsys são históricas, eu tenho um CD bootleg triplo com várias versões dos shows que ficaram de fora da gravação do disco oficial.

O problema é que o empresário de Jimi, Michael Jeffery, odiava a idéia da Band of Gypsys, e não descansou enquanto não desfez o grupo. Ele tinha o terrível hábito de dar ácido para Jimi, e segundo Buddy foi um dos maiores responsáveis pela morte de Hendrix no dia 18 de setembro de 1970.

Antes disto, Jimi continou gravando em seu estúdio Electric Ladyland a sua nova obra prima, que infelizmente não ficou pronta a tempo, First Rays of the New Rising Sun. O baterista era novamente Mitch Mitchell, mas Buddy Miles também assumiu as baquetas em algumas músicas. Mesmo depois da morte de Jimi, Mitch Mitchell voltou ao estúdio para ajudar o engenheiro de som Eddie Kramer a finalizar os discos póstumos. As músicas foram lançadas espalhadas em discos póstumos como War Heroes, Cry of Love e Stepping Stone.

Antes de ir para a Inglaterra e se tornar um super astro do rock, Jimi assinou alguns contratos absurdos, e infelizmente passou o resto da vida pagando por isto. Sua carreira e paz de espírito foram sempre atrapalhadas por pessoas nefastas e interesseiras como o empresário Michael Jeffery e o produtor Alan Douglas, que após a sua morte ficou como detentor dos direitos das músicas, após enganar o pai de Jimi. Ou seja, mesmo depois de morto, Jimi continuou sendo explorado, porque sua família não tinha direito a nada.

Só depois de uma batalha judicial, o pai de Jimi, Al Hendrix e sua meia-irmã Janie Hendrix conseguiram recuperar os direitos, e criaram a gravadora Experience Hendrix. Este processo foi custeado por Paul Allen, fundador da Microsoft, que também ergueu um museu em homenagem a Jimi em Seattle, na cidade onde ele nasceu. Com a morte de Al em 2002, Janie passou a controlar a empresa, mas foi processada por Leon Hendrix, outro meio-irmão de Jimi e perdeu o posto.

Agora você pode se perguntar, porque um blogueiro de gadgets como eu gosta tanto de Jimi Hendrix? É que eu sempre fui um fanático por Hendrix, desde que me entendo por gente. Um dos primeiros LPs que escutei na vida na vitrola da minha mãe foi Cry of Love, um disco póstumo do mestre das guitarras. Eu me lembro bem porque adorava a capa do disco, com um desenho de Jimi.

Há uns 20 anos, além de resolver aprender a tocar guitarra, também meti na cabeça que iria fazer uma tatuagem com o rosto do Jimi Hendrix, só que perfeccionista que sou, nunca consegui encontrar a imagem ideal. Em uma viagem pelos Estados Unidos fui parar em Seattle, e fiz questão de prestar pessoalmente o meu tributo e homenagem ao meu velho ídolo da guitarra.

Estive lá antes de construírem o memorial que fizeram hoje em dia, quando a pedra da sepultura ficava no chão, como todas as outras do cemitério. Depois de sentar e pensar bastante, fiz um decalque da lápide em papel, aplicando uma técnica aprendida com duas amigas americanas que faziam o mesmo no famoso cemitério judaico de Praga, na república Tcheca.

O problema é que eu não tinha uma cartolina que fosse grande o suficiente, então não ficou tão bom. Pouco tempo depois um amigo meu voltou lá em Seattle e fez a mesma coisa em um papel maior e texturizado, e o resultado está enquadrado na minha parede desde então.

Eu nasci 10 dias antes de Jimi Hendrix morrer, e mesmo assim as suas músicas e a sua atitude marcaram a minha vida. O meio musical ficou órfão de Hendrix, que se tivesse continuado vivo com certeza lançaria álbuns ainda mais revolucionários.

Este ano Jimi ganhou a companhia dos seus velhos companheiros Buddy Miles e Mitch Mitchel, dois grandes bateristas. Para onde eles foram eu não sei, mas a única coisa certa é que Jimi, Buddy e Mitch devem estar fazendo uma tremenda Jam Session onde quer que estejam.