Oscar Niemeyer, o maior
Alguns pensamentos sobre os 101 anos de um grande mestre.
Oscar Niemeyer Soares Filho nasceu em 15 de dezembro de 1907 no Rio de Janeiro, e completou 101 anos de vida na última segunda-feira. Mas a vida que mestre Oscar Niemeyer tem vivido não é uma vida qualquer, e sim uma vida de um artista, que consegue ser ao mesmo tempo gênio, revolucionário, rebelde, comunista e poeta, sendo autor de diversas obras que marcaram a história da Arquitetura no mundo contemporâneo, incluindo suas grandes realizações na criação da Capital Federal, com destaque absoluto para a belíssima Catedral de Brasília.
Depois de se formar pela Escola Nacional de Belas Artes, Oscar Niemeyer se juntou a um time de arquitetos Brasileiros que colaboraram com Le Corbusier para criar o prédio do Ministério da Educação e Saúde no Rio de Janeiro, onde trabalhou junto com Lucio Costa, que depois seria seu parceiro na construção de Brasília.
Eu ainda não conheço pessoalmente várias de suas obras, mas procuro visitar sempre que possível. Há poucos anos conheci Brasília pessoalmente pela primeira vez, e fiquei muito impressionado, porque uma coisa é você ver fotos, outra coisa é entrar naqueles ambientes. O Museu Oscar Niemeyer em Curitiba, por exemplo, está no meu topo da lista atual de prioridades, porque é uma obra que impressiona a todos, com seu formato antropomórfico que lembra um olho humano.
Durante os quatro anos em que morei em São Paulo sempre freqüentei o Parque do Ibirapuera, e me admirava com a arquitetura sensacional do sensacional pavilhão de exposições OCA, que mais se parece com um disco voador pousado. O Memorial da América Latina também me deixou muito impressionado.
Aqui no Rio temos várias obras mais recentes como a Cidade da Música na Barra da Tijuca, que ainda nem foi inaugurada, e o Caminho Niemeyer, em Niterói, com o belíssimo Museu de Arte Contemporânea, a nova Estação Hidroviária de Charitas e o Teatro Popular.
As obras de Niemeyer mexeram tanto com o imaginário do garoto que eu era nos começo dos anos 80, que eu comecei a dizer para todo mundo que queria ser arquiteto. Só que acabei não prestando arquitetura e virei designer, afinal de contas nunca soube desenhar sem o computador, mas a minha admiração pelo grande mestre vai durar para sempre.
Mas a bem da verdade, antes de querer ser arquiteto, eu sempre dizia que ia ser médico, em homenagem ao meu avô, Felício Falci, um dos maiores cirurgiões da história do Brasil, e membro honorário da Academia Nacional de Medicina, que ano que vem completa 97 anos. Só depois de um tempo, compreendi que não tinha herdado do meu avô a vocação para operar, e apesar da minha insistência com o design, meu caminho sempre estava ligado a textos e palavras. Só que isto é assunto para outras colunas.
No site do maravilhoso filme A Vida é Um Sopro você pode ler vários depoimentos deste arquiteto que também é um grande poeta, e sabe criar as suas curvas com palavras. Você provavelmente já deve ter lido o seu Poema da Curva, que resume a sua obra e trajetória como arquiteto e ser humano:
Não é o ângulo reto que me atrai, nem a linha reta, dura, inflexível criada pelo o homem. O que me atrai é a curva livre e sensual. A curva que encontro no curso sinuoso dos nossos rios, nas nuvens do céu, no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o universo, o universo curvo de Einstein.
A H. Stern também está prestando uma bela homenagem a Oscar Niemeyer, com o lançamento da sua ?Linhameyer?, uma coleção de jóias de muito bom gosto, como não poderia deixar de ser, afinal é inspirada nos traços do nosso maior arquiteto. A linha foi lançada no dia 15 de dezembro, em homenagem aos 101 anos de Niemeyer.
Como parte da ação de lançamento, este blogueiro recebeu uma linda caixa de resina imitando pedra com um desenho em baixo relevo de Niemeyer, dentro da qual haviam alguns desenhos, o lindo Poema da Curva, e um flash drive com uma animação feita com os croquis do próprio Oscar.
Assista a um vídeo desta uma bela animação feita por Andrés Lieban com trilha sonora de musical Carlinhos Brown e George Israel.

Todo o Brasil deveria seguir este exemplo e sair as ruas para prestar todas os tributos a Oscar Niemeyer, mestre das curvas, que marcou a identidade da nossa arquitetura com as suas obras atemporais.


