Uma horda de chatos
Críticos de cinema, vale a pena ligar para o que eles dizem?
No começo dos anos 90, um filme francês que chegou ao Brasil foi um hype sem tamanho, o nome dele era “O Amante” (L’Amant, França 1992). Quem for um pouco mais velho deverá lembrar do zum zum zum em torno do filme. Todos os críticos de cinema da época, pelo menos até onde me lembre, colocavam o filme no sétimo céu, uma obra prima, imperdível, e coisas do tipo. O filme tratava do romance na Indochina de 1929 entra uma menina de origem francesa, e um chinês rico e mais velho, ou, reduzindo ao absurdo, um romance pedófilo.
Mas só lembro duas coisas do filme, a primeira é que ele era composto por pequenos trechos de erotismo em meio a grandes trechos de sofrimento e conflito, a segunda coisa que me lembro foi da irritação que senti quando minha então namorada, e hoje esposa, resolveu me acordar com um beliscão de unhas, porque eu “estava perdendo” o filme em que eu dormi porque era chato demais.
Desde deste tempo, que eu simplesmente passei a ignorar quase que sumariamente todo conselho que os críticos dão a respeito de vale a pena assistir, ou não vale a pena.
Não estou falando que críticos são inúteis, longe disso, ainda considero o que um ou outro fala a respeito das pessoas envolvidas, dos atores e atrizes, roteiristas, diretores e produtores. Gosto muito, por exemplo, de ler e ouvir Rubens Ewald Filho, principalmente quando ele começa a discorrer sobre outros filmes do passado em que as carreiras se cruzaram ou quando ele fala sobre os aspectos puramente técnicos de uma produção, é possível tirar disto uma boa idéia do que me espera na sala de exibição, mas mesmo dele, eu não aceito um vale a pena ou não.
E você também não deveria aceitar.
O primeiro fator é o medo incontido de ser “o cara que falou bem, do que todo mundo falou mal”, quem nunca viu ser usado o argumento “mas você gostou de coisa X” ser usado para desacreditar sua opinião sobre a coisa “Y”? É algo que acontece o tempo todo em todo local, mas com eles, críticos, é ainda pior. O segundo fato são os agentes externos, eu não sei pelo que aquela pessoa estava passando ou o tipo de atenção deu ao filme na hora que o assistiu, muito menos em que estado estava quando escreveu a crítica.
Seja você mesmo seu crítico, use as ferramentas disponíveis para pesquisar sobre os envolvidos nas produções que você está interessado, a melhor de todas é o Internet Movies Data Base (IMDB), uma enciclopédia fantástica sobre filmes e seriados, lá você encontra absolutamente tudo sobre tudo que envolva estes assuntos. Em português, o Adoro Cinema e o Cinema com Rapadura têm boas bases de dados. Fale com seus amigos que já assistiram ao que está passando, na opinião de alguém que já se conhece é muito mais fácil de ler as entrelinhas. Sem contar, é claro, com o fato que ao pesquisar a respeito de um filme, você topará com outros títulos, alguns pouco conhecidos, mas que se encaixam perfeitamente no seu gosto. Divirtam-se ;)


