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O empresário, blogueiro e designer Nick Ellis é o criador do Digital Drops e do AppStore Blog. Além disso ele também é editor do MeioBit, escreve no Blog de Brinquedo e tem muitos outros blogs e projetos prestes a sair do forno.

O som da música

8, janeiro de 2009, 18:29 | Colunas

Musical, um gênero de filme que encanta tanto pelas atuações quanto pelas vozes.

Outro dia assisti a uma encenação do clássico musical Noviça Rebelde (Sound of Music) no teatro, e depois do choque de perceber que todas as músicas eram cantadas em português, adorei a peça, que tem um elenco com vozes afiadas e cenários caprichados.

Eu sempre gostei de musicais, e sou suspeito para falar, mas comentando a respeito da peça com alguns amigos, descobri que existem algumas pessoas que pensam justamente o contrário, e que odeiam quando alguém começa a cantar na tela ou no palco.

Resolvi então escrever esta coluna falando sobre esta relação de amor e ódio que os musicais despertam nos espectadores. Fiz uma rápida pesquisa entre os meus amigos no Twitter e o resultado é que 90% das pessoas adoram musicais, mas os 10% restantes simplesmente detestam.

Eu estou entre os primeiros 90%, porque adoro filmes musicais de qualidade. E para justificar a minha opinião, nada melhor do que lembrar de alguns grandes filmes musicais que fizeram parte da minha vida.

Em primeiro lugar, não dá para deixar de citar alguns dos maiores clássicos de todos os tempos, como o Mágico de Oz (1939) e Singing in the Rain (1952), dois filmes musicais que deixaram a sua marca na história do cinema, afinal, quem não se lembra daquela maravilhosa cena de Gene Kelly dançando com o guarda-chuva?

O casal Fred Astaire e Ginger Rogers também é inesquecível, especialmente a sua dança de rosto colado em Cheek to Cheek no filme Top Hat (1939). Eles estão entre os casais mais famosos da historia do cinema, e tudo porque eram dois grandes pés de valsa.

Fred Astaire também teve outras parceiras, como a lindíssima Audrey Hepburn em Funny Face. Audrey também empresta sua beleza e charme a My Fair Lady, um musical de George Cukor que fez muito sucesso nos anos 60.

O filme West Side Story é uma espécie de versão musical de Romeu e Julieta, que conquistou uma nova geração de pessoas para os musicais, muito graças ao talento da bela Natalie Wood.

Um dos filmes mais engraçados que eu já vi na vida é Os Produtores de Mel Brooks. Usando um musical da Broadway com um pano de fundo, Brooks criou mais uma de suas maravilhosas comédias, com destaque absoluto para os incríveis atores Zero Mostel e Gene Wilder. Assim como a Noviça Rebelde, uma montagem recente desta peça tem feito sucesso nos palcos do Brasil.

Além de ter sido a atriz principal de Noviça Rebelde, Julie Andrews também viveu outra babá famosa, a personagem título de Mary Poppins. A Disney aliás também tem grande tradição em fazer desenhos musicais de longa metragem, e criou grandes clássicos, mas os meus favoritos são mesmo o Rei Leão e Fantasia.

Com um estilo completamente diferente de tudo o que foi feito antes, o filme Rocky Horror Picture Show se tornou um verdadeiro ícone dos anos 70. Este musical divertidíssimo até hoje tem muitos seguidores pelo mundo afora, que gostam de interpretar as cenas enquanto o filme está passando. Tim Curry e Susan Sarandon estão perfeitos em seus papéis e ajudaram a eternizar este mito.

A versão original da Fantástica Fábrica de Chocolate foi um dos filmes que mais impressionaram quando eu era criança, especialmente a sensacional música dos Oompa Loompas, e e é um milhão de vezes melhor do que a refilmagem de Tim Burton.

Voltando ao passado, eu assisti Annie no cinema no começo dos anos 80, e fiquei encantado, tanto com as músicas quanto com a bela história entre entre a pequena órfã Annie e o bilionário interpretado por Albert Finney, em mais um belo filme do mestre John Huston.

Amadeus também é um filme espetacular, no qual Milos Forman conta a difícil vida do gênio Wolfgang Amadeus Mozart, que sofreu com as intrigas e com a inveja fatal de Antonio Salieri. Simplesmente imperdível.

Outro musical que deixou marcas na minha personalidade é Pink Floyd: The Wall, que pode até não ser um musical típico, mas com certeza é impressionante, além de contar com as músicas de uma das minhas bandas favoritas de todos os tempos.

O já citado Tim Burton também adora musicais, e já fez alguns ótimos exemplares do gênero. O mais recente deles é Sweeney Todd, O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet, onde Burton mistura seu estilo gótico com as músicas de Stephen Sondheim.

Johnny Depp e Helena Bonham Carter soltam a voz enquanto vivem uma história de amor e vingança. Estes mesmos atores também ajudaram Tim Burton a mostrar sua veia musical em dois ótimos filmes de animação, O Estranho Mundo de Jack e a Noiva Cadáver.

Em Todos dizem Eu Te Amo, Woody Allen presta sua homenagem aos musicais em grande estilo, com a ajuda de Edward Norton e Julia Roberts. É difícil assistir a um filme assim e sair chateado, e esta para mim é uma das maiores funções dos musicais, alegrar a nossa vida e desopilar o nosso fígado com muitas risadas.

No filme Dancer in the Dark de Lars von Trier, a cantora Bjork surpreende a todos com seu belo desempenho em uma história trágica. As músicas são belíssimas e ficam na memória para sempre. O filme levou a Palma de Ouro em Cannes.

Entre os meus diretores de cinema favoritos, estão os irmãos Coen, que também se aventuraram no estilo com o sensacional musical O Brother, Where Art Thou?, inspirados na Odisséia de Homero, um filme muito empolgante, que tem ótimas músicas.

Mas um dos meus musicais preferidos é mesmo Moulin Rouge de Baz Luhrmann. Este filme é um musical perfeito para a minha geração, porque traz algumas das minhas músicas favoritas como Heroes, de David Bowie e Your Song de Elton John, entre muitas outras.

Como me respondeu meu amigo Renato na minha pesquisa sobre musicais, a vida precisa de trilha sonora e de poesia!

Sei que devo estar me esquecendo de vários musicais, mas não dá para lembrar de todos os que eu gostei. E você, gosta de musicais ou não?