Na raiz de todos os males brasileiros, a (falta de) educação
Existe um risco bem grande quando se acostuma-se a qualquer situação. 
Quando eu era moleque, peguei carona com um amigo de meu pai, para ir até a cidade praiana distante 100km aqui de Fortaleza, onde tínhamos uma casa de veraneio. Na viagem, este amigo do pai foi explicando como tinha quebrado o cóccix, o ossinho inútil que temos no final da coluna, vestígio de que um dia tivemos rabos. Ele dizia que o pior é que não havia nada que os médicos pudessem fazer, não havia como imobilizar a ponta de osso, ele precisaria conviver com a dor por alguns meses, até que houvesse a calcificação.
Ainda lembro claro como o dia, quando ele disse “Mas é isso mesmo… nos acostumamos com tudo, até com a dor”.
Não sou o primeiro, tampouco vou ser o último a dizer que a situação mais trágica no Brasil de hoje, é o fato de termos perdido muito de nossa capacidade de indignação com os mandos e desmandos, com a corrupção e com um sistema recheado de políticos corruptos que fazem o máximo para se perpetuar no poder com o auxílio de uma população deseducada, formalmente falando, e que não tem a capacidade de raciocinar além das esmolas que recebe.
Não adianta o Brasil ir economicamente bem, se esta situação específica persiste. A ausência de educação formal é que gera absurdos como o voto dado a candidato ‘porque ele é bonito’ ou ‘porque ele vai nos dar as coisas’, faz com que as classes da base da pirâmide não aproveitem a bonança e permaneçam imóveis nesta base – aproveitando a deixa da nova novela – feito castas indianas. Faz-se desesperadamente necessário que o governo, não apenas o atual, mas todo e qualquer governo, comece a olhar para o problema com a intenção de resolvê-lo. Políticas raciais ou sociais de acesso ao nível superior são arremedos estúpidos, que corrigem um sintoma que tende a perpetuar-se.
Crianças em sala sem professores, greves intermináveis, artifícios que permitem que o aluno passe de ano sem a capacidade, benefícios sociais que em tese deveriam incentivar por o aluno na escola sendo distribuídos sem a comprovação de contrapartida (o aluno na escola), são tão sintomas disso, quanto um poder legislativo, executivo e judiciário complemente dissociados da realidade nacional. Tudo que é preciso é abrir um jornal ou ver as notícias na televisão , o que mais me assusta é que tal como um viciado que aumenta a dosagem da droga para ter barato, esses que estão no poder vão cada vez mais longe nos absurdos que fazem, o Brasil dá asilo político à assassinos condenados (por um regime de esquerda, diga-se de passagem), e ameaça se transformar em um paraíso de bandidos a partir do momento em que o Supremo Tribunal Federal decretou que só se vai preso depois de ter sido julgado em última instância, coisa que pode levar mais de 15 anos.
São mandos e desmandos cada vez mais absurdos enfiados garganta abaixo de um povo deseducado, em um país em que o presidente precisa fazer ridículas metáforas futebolísticas para lhes fazer entender as coisas mais básicas. E claro, eles, os políticos em geral (nos três poderes ou fora deles) são os maiores interessados em ver perpetuar-se esta situação, povo que pensa, é povo que cobra, povo que cobra poderia ter consciências de coisas básicas como parágrafo único do artigo primeiro da nossa Constituição, que diz “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.”. Aliás, alguma vez você já leu o cinco primeiro artigos da Constituição de 1988 ? Não? Faça um favor a si mesmo, leia e veja se você mora no país que aquela constituição almeja.


