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O empresário, blogueiro e designer Nick Ellis é o criador do Digital Drops e do AppStore Blog. Além disso ele também é editor do MeioBit, escreve no Blog de Brinquedo e tem muitos outros blogs e projetos prestes a sair do forno.

O cérebro de Steve Jobs

6, março de 2009, 18:00 | Colunas

Eu sempre tive uma grande admiração pelos grandes inventores, por aqueles que conseguem mudar o seu mundo através da tecnologia. Steve Jobs é um verdadeiro artista no que faz, que orquestrou a criação de produtos tão revolucionários e originais quanto um iPod, um iPhone ou um iMac, liderando como um regente sua fantástica equipe dos sonhos na Apple.

Eu acabei de ler o livro A Cabeça de Steve Jobs, de Leander Kahney (Cult of Mac), e recomendo muito, pois trata-se de uma ótima leitura para empreendedores e para qualquer pessoa que goste de tecnologia. O autor consegue transformar a genialidade excêntrica de Jobs em lições empresariais e acredite, Steve Jobs sabe tudo como fazer sucesso na vida e tem muito a ensinar, apesar de ser conhecido por seu pavio curto, ele é um grande recrutador de talentos, e conseguiu unir equipes para criar seus produtos maravilhosos.

O seu discurso para uma a turma de formandos em Stanford é uma das coisas mais impressionantes que eu já vi, uma verdadeira lição de vida. Se você não viu, assista agora mesmo no YouTube com legendas em português, (parte 1 e parte 2). O meu fascínio com a empresa de Steve Jobs vem de criança, desde que vi a primeira embalagem de um Apple II, algo que me deixou muito impressionado. Até hoje quando vejo o cuidado com os detalhes nas embalagens e nos produtos da Apple reconheço a diferença que o bom design pode fazer, e nunca deixo de me surpreender. Qualquer um que já tenha aberto um produto da Apple sabe exatamente do que estou falando.

A interface e a facilidade de sincronização do iPod são quase mágicas, e foram as armas que a Apple usou para conseguir uma coisa que muitos julgavam impossível, roubar o posto de player portátil preferido no mundo, que no começo da década era ocupado pelo Walkman da Sony. Eu já confessei publicamente ter sido afetado pelo campo de distorção da realidade de Steve Jobs, mas não estou sozinho, afinal de contas a Apple é a empresa mais admirada do mundo na opinião do público mundial.

Desde que me entendo por gente, sempre torci pelo sucesso de Steve Jobs, acompanhei sua queda na Apple e vi ele começar a NeXT, que pode não ter sido um sucesso comercial mesmo com seu design futurista, mas serviu para criar a base do revolucionário sistema operacional OS X, e trazer Steve de volta a empresa, quando a Apple comprou a NeXT.

Neste momento, a empresa de Steve e Woz estava à beira do abismo. Quando foi convocado para salvar a Apple, Steve relutou em aceitar o posto de CEO, e quando o fez pela primeira vez foi de forma temporária, mas a sua volta por cima foi espetacular, com uma jogada de gênio depois da outra, mas a recuperação da Apple foi impressionante, comparável na biografia de Jobs apenas a aquisição da Pixar.

Assisti com entusiasmo tudo isso, desde o lançamento do primeiro iPod em 2001, pouco depois do 11 de setembro, ao também histórico keynote no qual conhecemos o iPhone, em 2007. Além dos ótimos produtos, a Apple nunca teria conseguido se recuperar se Steve não tivesse convencido Bill Gates a continuar fazendo o conjunto de programas Office para o Mac, e se Jobs não tivesse cancelado a produção de clones dos Macs, que canibalizavam o mercado da empresa.

Se você quiser entender o porque do sucesso da Apple, basta olhar para o iMac. Ele mudou tudo ao abandonar de vez o disquete, usando gravador de CD e portas USB, com o foco no uso da web, estabelecendo uma tendência que dura até hoje. Anos depois a Apple lançou novos modelos de iMac ultra fino que se tornou um sonho de consumo ao redor do mundo, afinal de contas é um belo computador minimalista que cabe em qualquer espaço, não por acaso é onde estou estou escrevendo estas palavras.

O uso inovador de materiais como vidro, alumínio e plástico é obra do mestre Johnathan Ive, um designer inglês que já estava na Apple quando Steve voltou ao comando da empresa e teve seu talento reconhecido por Jobs. Ao lado da facilidade da interface de usuário, o design é o grande diferencial da Apple, fruto da obsessão e genialidade da dupla Jobs e Johnny Ive, e de um processo de criação que envolve muitos protótipos desenvolvidos pela equipe de Ive.

Ao contrário dos concorrentes em qualquer um dos mercados no qual atue, onde podemos incluir rivais de peso como Sony, Nokia e Microsoft, Steve sabe que o consumidor não quer ter que escolher um produto entre centenas de lançamentos. A linha de produtos de hardware da Apple é simples e concisa, temos os desktops iMac, o Mac Pro e o Mac Mini; os notebooks Mac Book, MacBook Pro e MacBook Air, o Apple TV, quatro modelos de iPod, além do iPod Touch e o iPhone. O resto são acessórios e os softwares como o iTunes e o iPhoto entre outros, mas isto é assunto para outra coluna, porque os softwares da Apple são tão bem feitos que merecem uma coluna só para eles.

Se algo pode resumir o conceito de vida de Steve Jobs, é a simplicidade. Segundo esta filosofia, quanto mais simples for um produto ou um software, melhor, seja para o usuário que está começando, ou para alguém que passa o dia inteiro no computador como eu. Dizem que os produtos da Apple custam mais do que seus concorrentes que rodam Windows e usam o mesmo hardware, mas a questão não é essa. Usar um produto da Apple é uma sempre uma experiência única.

Hoje em dia você pode usar todos os programas que quiser em qualquer uma das plataformas, porque Steve se preocupa em oferecer compatibilidade completa com o Windows, que pode inclusive ser rodado em um Mac através do BootCamp, oferecido de graça com o sitema OS X Leopard. Por trás do sucesso do iPod, está o iTunes para Windows, que traz a experiência Apple para dentro do Windows. Como usuário de Windows e Mac, as vezes estou ouvindo música no iTunes eu simplesmente esqueço que estou no Windows.

O sucesso do iPhone mudou paradigmas no mercado da telefonia, todas as empresas se apressaram em lançar seus celulares com tela multi-touch (ou as vezes nem isso), todos com câmeras sensacionais para destruir o iPhone nesta categoria. Mesmo assim, a quantidade de fotos feitas com o iPhone no Flickr impressiona. É que o iPhone pode até ter limitações difíceis de entender, mas também tem uma interface sensacional e uma quantidade inimaginável de programas na AppStore, outra grande conquista da Apple e de Steve.

Steve Jobs também deixou sua marca na publicidade, incentivando e inspirando campanhas como a do lançamento do primeiro Mac, citando o Grande Irmão no Super Bowl de 1984 e a Think Different, que mostrava os artistas e rebeldes que Steve sempre admirou. A campanha I´m a Mac, I´m a PC também é bem divertida, tirando uma onda com a Microsoft.

Desde o último keynote, o primeiro no qual Steve não apresentou pessoalmente, e do seu afastamento do posto de CEO da Apple, cresce a expectativa, mas tenho certeza que Jobs vai subir o palco novamente no lançamento da próxima versão do iPhone. Enquanto isso, o seu fiel escudeiro Tim Cook que antes era o Chief Operations Officer da Apple, agora é o CEO temporário, e tem a missão de manter a Apple no rumo da inovação enquanto Steve recupera as energias para os próximos lançamentos.

Steve Jobs é provavelmente o meu maior ídolo no mundo da tecnologia ao lado de Steve Wozniak e Bill Gates. Eu já conheci o Woz, portanto agora só falta conhecer o Steve e o Bill. Se você quiser me chamar de geek ou nerd, fique a vontade. Não é a toa que fui indicado para geek do ano!

Leia também a minha coluna As Lições de Woz aqui no Yahoo Posts!