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Nick Ellis_

O empresário, blogueiro e designer Nick Ellis é o criador do Digital Drops e do AppStore Blog. Além disso ele também é editor do MeioBit, escreve no Blog de Brinquedo e tem muitos outros blogs e projetos prestes a sair do forno.

A publicidade e a liberdade de expressão na internet

20, março de 2009, 9:00 | Especiais

Quiproquós, caça às bruxas e palmatória rondam a vida online.

 

Causou muita polêmica ontem uma matéria no Wall Street Journal falando sobre as possibilidades de ganhar dinheiro no Twitter, citando o jornalista e apresentador do ótimo CQC, Marcelo Tas. É que Marcelo assinou um contrato com a agência iThink para prestar seus serviços de comunicador para uma empresa de telefonia que não vai ser citada neste post. Pelo contrato, Tas deveria divulgar em seu Twitter 20 coisas interessantes com a tag # do produto, facilitando a busca no twitter (se você não sabe o que é Twitter, leia este post).

 

Acontece que isto irritou muitas pessoas que infelizmente já saíram atirando para todos os lados antes mesmo de deixar o Marcelo Tas se defender e ouvir o que ele tinha a dizer sobre o assunto. Os argumentos são os de sempre e partiram das pessoas mais improváveis. Foram várias as tentativas de agredir um profissional pelo qual todos no Brasil tem com carinho, seja pelo seu eterno Ernesto Varela, pela grande Olga Del Volga, pelo amado Professor Tibúrcio ou como ele mesmo apresentando o CQC. Quem tentou defender, como eu, também levou pancada de todos os lados.

 

Na sua resposta, Tas foi curto e genial, a começar pelo título do post, Meu dia de celebridade no The Wall Street Journal. Reafirmando que o conteúdo do seu twitter continua sendo de sua total responsabilidade, e que ele não tem a obrigação de falar bem do que quer que seja,  Marcelo tirou uma onda com a cara dos críticos que não entenderam que o mundo é outro, que seus princípios continuam os mesmos e não estão sendo desrespeitados. Mas o melhor de tudo foi esta frase excepcional:


“Trabalho e sou remunerado pelo meu trabalho desde os 15 anos de idade. Ainda não encontrei outra forma melhor de ganhar a vida a não ser essa de trocar o meu farto suor e relativo talento por algum dinheiro. Quem se importar com isso, não precisa me seguir. Afinal, não sou novela, ok?”:

 

Assim como Tas, eu também trabalho desde os 15 anos de idade, e no meu caso, trabalho com web desde 1995. Sempre estudei tudo que pude sobre qualquer coisa que fiz na minha vida, e sou o que se chama de profissional multimídia, e durante mais de 20 anos trabalhei com tudo o que você possa imaginar como trucagem fotográfica, modelagem em 3D para vídeos e animações, sites interativos, manuais de produtos, DVDs de apresentação, capas de CDs de bandas de Rock, diagramação de livros, criação de efeitos especiais em vídeos de hip hop e muito mais. Antes de criar o Digital Drops três anos atrás, eu ainda fiz muitos trabalhos como webdesigner freelancer em São Paulo e depois no Rio.

 

Só que nada disso aí fez muita coisa pelo meu sucesso profissional, e se não fosse o sucesso do meu blog de gadgets, eu nunca teria quase 3.000 pessoas acompanhando os meus updates no Twitter e nem as mais de 10.000 pessoas recebendo os meus posts por e-mail ou RSS. Também não estaria aqui escrevendo nesta coluna. Nos últimos 3 anos eu passo a maior parte do meu tempo escrevendo e pesquisando, e me dedicando a ser o melhor blogueiro a cada dia. Eu sinceramente acredito que nasci para escrever, e não existe outra atividade profissional que me deixe tão feliz. Ignoro sem maiores preocupações o fato de que cada post que eu escrevo é copiado em vários outros blogs e sigo trazendo as novidades para os meus queridos e fiéis leitores, chova ou faça sol. Eu gosto tanto de fazer isso que desde novembro do ano passado decidi por conta própria cortar o meu vínculo com meu antigo emprego para me dedicar exclusivamente aos meus blogs.

 

Tomei esta decisão drástica quando descobri que além do prazer que eu sinto escrevendo o meu blog, se eu conseguisse vender um simples banner por mês no meu blog, já seria o equivalente ao meu salário na empresa onde eu trabalhava. Mal sabia eu que para certos setores da meritocracia online do Brasil, ganhar dinheiro na Internet é algo imoral, ilegal ou engorda. Quer dizer, você pode ganhar dinheiro na Internet vendendo livros, gravuras, cinzeiros, camisetas, o que bem entender, mas não pode ganhar vendendo o espaço do seu blog, seja em banners ou posts publicitários, mesmo que identificados e com uma opinião sincera a toda prova. E como eu escolhi me dedicar a esta tarefa neste momento da minha vida e considero esta atividade como a minha profissão, fico especialmente chateado quando alguém ataca os blogueiros e jornalistas simplesmente por eles serem quem são.

 

Na minha humilde opinião, se você identifica um post patrocinado como tal, ou coloca um selo avisando o leitor sobre a natureza daquele artigo, e nunca, jamais, em nenhuma circunstância deixe de lado a sua ética pessoal para falar bem de algo do qual não goste; ou de forma alguma minta ou exagere sobre qualquer detalhe do produto, então não existe qualquer problema em fazer um artigo pago no seu veículo. O que críticos e detratores não entendem é que a opinião de um profissional como o Marcelo Tas não está a venda, assim como a minha também não está, a do Cardoso também não, as do Cris Dias e Carlos Merigo também não, e as do Alexandre e Deive do Jovem Nerd também não. Acontece que um blogueiro honesto é exatamente igual ao Cartoon Network, ele só faz o que quer. Sua tarefa natural é falar o que pensa sobre o que quer que seja todos os dias, e o que as empresas mais buscam nos dias de hoje é exatamente este esta sinceridade, este insight imparcial sobre o seu produto.

 

Só que infelizmente os perseguidores de sempre tem que atacar quem está trabalhando em seu blog e que ganham a vida na Internet de forma honesta, não admitem que alguém possa ganhar dinheiro com o que eles gostam. E agora esta moda da perseguição ideológica adolescente puritana chegou ao Twitter. Eu ganho dinheiro com blogs e não tenho a menor vergonha disto, eu tenho sim o maior orgulho de conseguir pagar as minhas contas com o que eu escrevo. E assim como eu ganho dinheiro com blogs, os amigos Fábio Seixas e André Dahmer ganham dinheiro com duas das coisas que eu mais gosto, camisetas e quadrinhos, e não é por causa disto que eu vou lá atacar ou brigar com eles, muito pelo contrário, eu leio o livro do Dahmer e adoro a Camiseteria.

 

Eu acredito que a liberdade de expressão também deve ser seguida na Internet, e cada um tem o direito de publicar o que quiser em seu blog, desde que seja honesto e transparente a respeito disto. Qual o sentido de pessoas normais atacarem blogueiros e jornalistas só porque eles estão fazendo seu trabalho? Para o futuro dos blogs no Brasil, não existe nenhuma ameaça pior do que esta perseguição sem propósito, eu acho que a única coisa pior seria se criassem um sindicato ou uma associação de blogueiros.

 

Só para concluir, o resultado da campanha que fizeram para deixarem de seguir o Marcelo Tas é que no final do dia ele tinha mais 1.000 followers no Twitter, com um total de 19.000. E eu aposto que se você for lá conferir, este número já terá passado dos 20 mil. Moral da história, os cães ladram, mas a caravana passa sem prestar atenção aos uivos das hienas pelo caminho.